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Eu acredito na bondade que existe dentro de nós. Acho que todos temos um potencial infinito para o caráter, a integridade, a honestidade, a gentileza e a generosidade. E que podemos espalhar muita beleza, sabedoria, amor e alegria por aí. Cada pessoa que cruza o nosso caminho tem o potencial de mudar totalmente o rumo das nossas vidas – e nós também temos essa capacidade de mudar a vida das pessoas na nossa jornada.

Sempre fui apaixonado por conhecer gente nova, por apresentar pessoas e tecer redes de relações, pessoais ou profissionais. É por isso que eu tenho me dedicado, desde a faculdade, a criar redes sociais como o orkut.com e o hello.

Minha inspiração para desenvolver redes sociais é aproximar as pessoas, fazer com que todas se sintam felizes e criar uma possibilidade para elas fazerem conexões autênticas, alimentar amizades, nutrir amores. Elas são desenhadas para criar experiências positivas e fazer aflorar o que há de melhor nas pessoas.

Infelizmente, a dinâmica das redes sociais hoje é bem diferente. O que move essas empresas é, essencialmente, gerar riqueza para investidores e acionistas. Ao priorizar o faturamento e os anunciantes, elas tratam as pessoas apenas como números e deixam em segundo plano a felicidade, a criação de uma experiência positiva.

O que aconteceria se os negócios da vida real – restaurantes, bares, hotéis, baladas —tratassem seus clientes com essa mesma mentalidade que coloca o faturamento acima do respeito? Depois de um ano e meio de quarentena, finalmente pude ir à Turquia nas férias de verão, mas voltei de lá com três experiências frustrantes que me fizeram refletir sobre isso.

Paparazzi: “Pode entrar, mas fica no fundo”

O Paparazzi é um clube na praia de Aya Yorgi que existe há mais de três décadas e sempre foi um exemplo de gentileza e compaixão. Seu ex-dono era tão bacana que distribuía comida de graça para os motoristas de táxi que ficavam esperando a clientela sair no final da noite.

Hoje, o negócio mudou bastante. Passou por uma reforma, tem novo dono e nova equipe. Animado, chamei alguns amigos para ver as novidades. Fizemos nossa reserva, mas, quando chegamos, disseram que não havia mesa para nós, e que a reserva não existia – e o clube não estava nem 25% cheio.

Ouvimos que poderíamos entrar se ficássemos no “fundão” ou em uma cabana, mas teríamos que consumir pelo menos duas garrafas de vodca ou champanhe. Inacreditável: em um lugar antes cheio de gentileza, fui atendido por uma equipe fria, egoísta, com propostas traiçoeiras.

Rei Beach: “Não gostei do seu tipo”

Um outro clube, o Rei Beach, abriu na praia em Kusadasi há pouco mais de um ano. Da primeira vez em que eu fui, pude apreciar uma bela vista e ótimos coquetéis, além de uma conversa agradável com a garçonete. Falamos até de como melhorar a presença do negócio nas redes sociais para que fosse mais fácil de encontrar (e que uma Margarita não deveria ser servida em um copo de Martini).

Mas, quando voltei outro dia, à noite, os seguranças disseram que eu precisava de reserva. Tudo bem, fiz uma nova reserva com o gerente. Mas, quando chegamos no dia seguinte, fomos novamente maltratados. O segurança disse que não estava nem aí para o gerente e que não ia nos deixar entrar “porque não gostou do nosso tipo” (e olha que a gente estava bem vestido). Até então, eu nunca havia passado por uma situação de preconceito e discriminação desse nível. Sério, esse cara precisa de mais humildade e honestidade na vida.

Korto Bar: “Sua mesa já está ocupada”

Fiquei sabendo que um dos meus músicos favoritos, Aydok Moralioglu, estava fazendo shows no verão – alguns deles no Korto Bar, em Alacati. Sou tão groupie dele que fui aos shows todo final de semana enquanto estive na Turquia. Reservei, então, uma mesa bem na frente do palco no Korto.

Mas, quando cheguei com meus amigos, a mesa estava ocupada por um grupo de dez garotas simplesmente porque o gerente achou que elas consumiriam mais do que nós, que estávamos em seis pessoas. Ele nem piscou pra fazer essa troca, mesmo que eu seja um cliente frequente. Talvez nem percebam que, ao serem rudes e desrespeitosos, suas chances de felicidade serão bem limitadas na vida… Ironicamente, as garotas não estavam interessadas na música, e sim em fazer vídeos e fotos para as redes sociais como se estivessem realmente aproveitando aquele momento.

Em todas essas experiências, o que me entristece não é a falta de profissionalismo e o comportamento desnecessário. É a mentalidade de tratar as pessoas com o maior desrespeito e achar que está tudo bem. Especialmente em um ramo no qual o foco do negócio deve ser criar experiências positivas oferecendo um serviço de alta qualidade e mostrar respeito e integridade na relação com o cliente.

Assim como nas redes sociais, o foco em aumentar o faturamento, e não a gentileza, causa ansiedade, estresse e tristeza. No meio de uma pandemia, o cuidado, o apoio e a ajuda mútua deveriam ser a prioridade, e não o egoísmo. Precisamos, mais do que nunca, lutar pela bondade, pelo respeito, criar espaços e ferramentas para aproximar as pessoas e espalhar a gentileza e a dignidade.

O que você fez hoje para restaurar esse equilíbrio e compartilhar bondade? É bom refletir sobre isso, pois, como disse Aristóteles, “somos o que fazemos repetidamente”.

Já pensou se as baladas nos tratassem como as redes sociais? | Orkut Buyukkokten
Já pensou se as baladas nos tratassem como as redes sociais? | Orkut Buyukkokten

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Empreendedor pioneiro em mídias sociais de São Francisco e cofundador e CEO da hello.com, dedica-se a reunir pessoas, online e offline. Construiu uma das primeiras redes sociais, o orkut.com, que inspirou mais de 300 milhões de usuários ao redor do mundo a se unirem e fazerem conexões autênticas. Orkut é gay e militante da diversidade e da igualdade. Comentarista frequente sobre impactos positivos e negativos das redes sociais, também é um ávido programador, barman e massagista profissional. Adora dançar e é conhecido por fazer uma das melhores festas durante o Pride em São Francisco. Acompanhe o Orkut em instagram.com/orkutb e participe da nova rede social: hello.com