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Você é do tipo que pede refrigerante normal ou zero? Escolhe a poltrona da janela ou a do corredor? Gosta da tribo dos homens ou das mulheres? Todo mundo tem preferências: uma cor, uma série, um xampu favorito. Com tudo na vida, a gente vai experimentando as variedades, avaliando as opções e se acomoda quando encontra um preferido. Mas, quando o assunto são os “dates”, parece que não somos assim tão flexíveis e dispostos a provar novos sabores…

Em geral, as pessoas tendem a sair com um tipo específico de gente, mostram as pesquisas. Não tem nada de novo nisso: basta olhar para o nosso círculo de amizades para ver que todos temos amigos hétero que dizem gostar de um certo tipo de mulher, como branca ou negra. Com seios grandes ou pequenos. De cabelos compridos ou curtos. Já no mundo gay as preferências se dividem em certos estereótipos. Como na escola de magia do Harry Potter, cada um pertence a uma casa. Quando perguntamos a um cara gay de que tipo de homem ele gosta, a resposta geralmente é algo como “barbie”, “novinho”, “urso” ou “papai”. Você prefere um cara sarado, um lobo ou uma lontra? Branco ou negro? Ativo ou passivo? Parece até que estamos escolhendo sabores em uma grande sorveteria.

Tem gente que entra na fila já sabendo que quer o sorvete de creme ou o de pistache. E isso vale também para as nossas relações: a gente tende a seguir essa consistência porque tudo o que é familiar traz conforto. Agir dessa maneira nos dá a impressão de que todos temos um tipo. Por outro lado, quebrar esse padrão e sair da zona de conforto pode render uma bela surpresa: o amor verdadeiro pode tirar seus pés do chão de uma forma bem inesperada.

Ao escolher um parceiro, tem quem diga que a beleza está nos olhos de quem vê. Para mim, isso parece mais uma defesa para quem não quer ser julgado por suas preferências pessoais. Falando de romance, essa frase soa injustificada –e me parece até meio problemática, especialmente em uma cultura obcecada com juventude, músculos e grandes pintos.

Muitos apps de encontro têm até filtros para não dar match com pessoas de determinada raça ou etnia. Ou seja, muitos caras em busca de uma paixão estão limitando suas escolhas achando que têm “um tipo”. Eu acho melhor a gente se livrar de todos os filtros que pudermos, expandir nosso horizonte para encontrar um parceiro que jamais poderíamos ter imaginado porque “não faz nosso tipo”.

Um exemplo: quem não ama um cara com pinta de modelo e que tem cachorro? Eu também achei que esse fosse o meu tipo. É claro que um homem que tem um cão é cuidadoso e carinhoso, pensava eu. Além do mais, quem não quer fazer uma conchinha em um corpo esculpido, daqueles que transparecem mesmo sob uma blusa grossa? A realidade me mostrou que eu estava muito errado. Saí com dois caras que tinham cachorro: um era um sociopata, e o outro, um baita narcisista.

A beleza é um conceito cultural e físico, e seu padrão é definido pela cultura dominante em cada momento. Sempre fui um grande defensor de trazer mais diversidade para as nossas vidas, para a sociedade e para o ambiente de trabalho. Estender essa mente aberta também para a minha vida afetiva me fez descobrir novos sabores que eu nem sabia que existiam! Saí com caras dez anos mais velhos e mais novos. Magrelos e musculosos. Altos e baixos. Engenheiros e não engenheiros. Brancos e negros. Americanos, turcos e brasileiros. Toda vez que me envolvo com um cara que quebra o padrão anterior, reconheço mais ainda que eu, na verdade, não tenho um tipo.

No final das contas, meu último namorado calhou de ser um engenheiro, meio alemão meio mexicano, que mora com seu gato. Antes do nosso primeiro “date”, eu fucei as redes sociais dele, claro, e suas atividades na internet. Descobri que ele era muito diferente de todas as pessoas com quem eu já havia saído –e quebrava, definitivamente, meus padrões. Honestamente, achei que não rolaria um segundo encontro. Só que, para a minha sorte, eu estava redondamente enganado. E o mundo ganhou mais um exemplo de como é importante abraçar a diversidade e manter a mente aberta quando a gente quer se conectar com os outros, seja um amigo, um peguete ou —quem sabe?—o amor da nossa vida.

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Empreendedor pioneiro em mídias sociais de São Francisco e co-fundador e CEO da hello.com, dedica-se a reunir pessoas, online e offline. Construiu uma das primeiras redes sociais, o orkut.com, que inspirou mais de 300 milhões de usuários ao redor do mundo a se unirem e fazerem conexões autênticas. Orkut é gay e militante da diversidade e da igualdade. Comentarista frequente sobre impactos positivos e negativos das redes sociais, também é um ávido programador, barman e massagista profissional. Adora dançar e é conhecido por fazer uma das melhores festas durante o Pride em São Francisco. Acompanhe o Orkut em instagram.com/orkutb e participe da nova rede social: hello.com