Há uns anos, escrevi sobre um vídeo de sexo gravado em uma festa em Floripa que circulou pela web que rendeu muito assunto. Muita gente falando em promiscuidade ou compulsão sexual. São termos que devemos ter muito cuidado ao utilizar. Uma pessoa que faz uma escolha de vida diferente da nossa, não está nem certa, nem errada: ela é diferente. Este é o conceito de diversidade.

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Se alguns acreditam na relação na monogamia, em abrir mão de certos prazeres para construir uma relação à dois, outros não creem em relações conjugais e preferem obter prazer, fazer sexo, ter uma vida sexual que numa moral religiosa é chamada promíscua.

Mas isso não é compulsão, isso é uma escolha. É como droga, se a pessoa faz uso de drogas e mantem sua vida sob controle, seus amigos, seu trabalho, sua libido, posso realmente dizer que ela está com problema? Nossa sociedade viciada em Rivotril, Ritalina e álcool pode julgar quem usa outras substâncias e se mantem dentro do laço social?

O que temos são pessoas com tendência compulsiva. Todos nós temos uma falta originária, está nos faz viver, estamos sempre desejando algo e quando conseguimos passamos a desejar outra coisa. É um tanto louco, mas é essa falta que nos faz viver e não ficarmos apáticos esperando a morte. Mas quando um sujeito, fragilizado por algo de sua vida ou história encontra uma forma contundente de gozar (aqui no senti de sentir) ele acaba recorrendo à isso sempre.

Isso tem acontecido muito com a comida, escuto milhares de relatos de pessoas que estão satisfeitas e seguem comendo, o que estão tapando? O mesmo com as drogas, utilizando o tempo todo, perdendo trabalho, amigos, deixando de lado o laço social pois o gozo dele com a droga é o suficiente. Hoje em dia temos visto isso com o sexo. Ele ficou tão fácil de conseguir, sem precisar de drinks, cantadas, diálogos, bastando procurar, que muitos acabam viciados e querendo ele o tempo todo. Alguns descrevem isso como um buraco negro, afinal é algo tão prático, fácil e prazeiroso que para muitos é difícil abrir mão. A repetição acontece até a exaustão, quase um nirvana.

Conheço um rapaz, que transa com 5 caras num dia, deixa de gozar, para gozar somente no último e mesmo assim não sei dizer se isso é fetiche ou compulsão. Notem aqui que não falei de homens gays, afinal o vicio em sexo não é exclusivo do gay. Outro dia mesmo um amigo me contava de uma festa hétero onde as mulheres ficavam de perna aberta para que rapazes pudessem “usufruir”.

Então, o que devemos entender que o que destrói as pessoas não são as drogas, o sexo fácil, a gula, o alcoolismo. É algo que está nas amarras infantis deste sujeito, que o deixa, presa fácil de uma forma de prazer que lhe seja mais forte e fácil de obter. Essas coisas são somente formas muito fáceis de prazer, que pode despertar esse buraco que a pessoa já tinha dentro de si.

O psicanalista austríaco Freud fala que: “A compulsão à repetição é um impulso à ação que substitui o recordar”. Isto é, na compulsão, no exagero, não existe mais sujeito, as dores, os medos, os traumas somem, e o sujeito passa a viver da sua compulsão da da sua relação com ela, o lamentável é que isso é o mais próximo que podemos ficar da morte, antes de morrer, seja por doença, seja de infarte, seja de qualquer consequência dessa exagero mortífero, que já existe, para nos retirar de nós mesmo. Nada é mais próximo de um doente que seu sintoma. Eu só conheço a psicanálise, a pesquisa sobre sua história mental, como forma de se libertar do comportamento compulsivo e fazer com quem este volte a ser somente prazeiroso.

No mais, são julgamentos, valores morais bobos e o prazer que as pessoas tem de julgar a vida alheia sem saber as dores e a história dessa vida. Nisso a escolha pela vida casta tem uma vantagem, se você nunca provar nada muito bom, não vai cair em compulsão, pode passar o resto da vida, comendo cenouras, tomando água e ter um namoro bacana. Mas nem todos são felizes assim.

“Sempre encontrei no sexo uma grande virtude consoladora, e nada adoça mais as minhas aflições vindas dos meus problemas do que sentir que uma pessoa amável se interessa por ele”. ROUSSEAU, Jean-Jacques.

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