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O jornalista e diretor Rafael Spaca é o idealizador de um dos aguardados documentários sobre o icônico quarteto cômico Os Trapalhões, com estreia prevista para este ano. Sob o título de “Trapalhadas Sem Fim”, o filme vai relevar segredos dos bastidores e também as polêmicas envolvendo não apenas os protagonistas, como também o seu elenco de apoio.

Nesta entrevista ao GAY BLOG BR, Spaca comenta sobre os atores LGBTQIA+ que participaram do clássico programa humorístico, como Tião Macalé, Jorge Lafond e Zacarias, todos já falecidos, além de falar sobre o livro e também seus próximos projetos.

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Cartaz do documentário Trapalhadas Sem Fim (Foto: Divulgação)

• Você acredita que as pessoas terão uma outra imagem d’Os Trapalhões após assistirem ao documentário?

Rafael Spaca: Eu tenho certeza que o público vai ter uma outra visão a respeito dos Trapalhões – uma visão até mais humana, mais empática –  porque estou mostrando para o público as agruras, as maravilhas, as dores, as delícias, como diria a famosa canção, de serem o que são e o que foram. Então é um retrato muito humano com os seus erros, com os seus acertos, uma biografia. A minha ideia é fazer esse documentário o mais próximo da realidade.

• O que não entrou na edição final do documentário vai se tornar um livro? Como será esse livro? Será de depoimentos, aspas de entrevistados… 

Rafael Spaca: Tudo que eu captei vai ser tornado público. Então, o que não entrar no filme, o que não entrar na série, o que não entrar no YouTube, vai estar tudo no livro, porque eu vou transcrever todas as entrevistas na íntegra, e as publicar na íntegra, sem qualquer edição. O livro será basicamente a transcrição de todas as entrevistas, contando também um pouco dos bastidores de produção.

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Rafael Spaca (Foto: Reprodução)

• Você fez uma revelação em um podcast que deixou muita gente surpresa, que é em relação à homossexualidade do Tião Macalé. Inclusive, você contou que ele era padrinho de um time de futebol juvenil de praia…. Como era a relação dele com os rapazes?

Rafael Spaca: Ele treinava um time de futebol de areia em Copacabana chamado Dínamo, e aí ele se encantava por alguns dos jogadores, ora lograva êxito, ora não. Mas isso é uma coisa que talvez os jornalistas da época não se aprofundavam, não tiveram interesse em pesquisar. Isso veio para gente nesse documentário.

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Tião Macalé (Foto: Reprodução)

• Aliás, pouco se sabe a respeito da vida pessoal do Tião Macalé. Era sabido nos bastidores do programa sobre a sexualidade dele? Ele tinha namorado?

Rafael Spaca: O foco era d’Os Trapalhões, mas… não tinha como não falar do Tião. O que a gente soube dele, é essa questão mesmo do time, a gente não se aprofundou porque o foco é o quarteto. Mas eu acredito ser uma coisa sabida da produção do programa a respeito do que cada um era na sua intimidade, com o Zacarias era a mesma coisa.

• Por que o Jorge Lafond deixou Os Trapalhões? É verdade que quando o personagem começou a se destacar, isso teria incomodado o Renato Aragão (no quadro dos “recrutas”)?

Rafael Spaca: Também não sei o que aconteceu. Eu comprei até aquela autobiografia do Lafond, ‘Babados’… uma coisa assim e, ele fala muito pouco dos Trapalhões, o que causou estranheza. Eu acredito que tenha tido alguma coisa, mas também eu sei que eu li ou vi: o Carlos Alberto de Nóbrega falando que contratou o Lafond porque fez uma proposta muito boa para ‘A Praça é Nossa’. Então, de fato, eu não sei… eu sei que tem alguma coisa aí, mas como eu não consegui entrevistar o Renato, essa história ficou meio escondida.

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Jorge Lafond e Os Trapalhões (Foto: Reprodução)

• Para muitos, o Zacarias era o personagem mais engraçado do Quarteto e, também, o mais carismático, pois tinha aquela aura infantil… Uma certa ingenuidade. Você acredita que o personagem teria sofrido uma rejeição do público, naquela época, se as pessoas soubessem que o ator era bissexual?

Rafael Spaca: Eu acredito que o Zacarias era um dos principais ativos d’Os Trapalhões, tanto é que se ele não empatou com o Renato, ele passava na preferência do público. O Zacarias era um personagem extremamente querido e carismático. O Brasil ainda é um país preconceituoso, é um país homofóbico e naquela época era ainda mais. Eu acredito que sim, se fosse revelado que o Zacarias era bissexual ia causar uma grande celeuma no país, tanto para o programa, como para a televisão. Acho que foi por isso que seguraram essa questão.

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Jorge Lafond (Foto: Reprodução)

• Muitas piadas de antigamente, inclusive feitas pelos Trapalhões, não são aceitas hoje em dia. Como acha que o público atual vai reagir a isso?

Rafael Spaca: Quanto às piadas, no olhar de hoje são vistas como politicamente incorretas. Naquela época, não tinha essa visão e as pessoas entendiam aquilo como uma brincadeira entre amigos, não tinha uma maldade, nem implícita e nem explícita. Era uma coisa muito ingênua, de brincadeira, de farra. Claro, olhando com os olhos de hoje, você vê e se choca com algumas coisas que foram ditas e mostradas no programa. Os Trapalhões é fruto de um contexto histórico, uma época no Brasil importante, mas que muitas coisas estão sendo revistas, estão sendo reavaliadas, e hoje algumas dessas piadas, algumas dessas falas, não são suportadas. Enfim, são coisas que faz parte do processo natural da nossa evolução.

• Como você vê a cultura no país atualmente?

Rafael Spaca: Quanto à cultura, tem coisas boas e coisas ruins. Quem fala mal da cultura, só acessa ou só tem acesso ao que é mostrado, porque muito dessas coisas boas, que são feitas e que não são divulgadas, não são difundidas pela mídia. A nossa cultura é uma cultura riquíssima e como em todo lugar, tem coisas boas e coisas ruins. A curadoria quem faz somos nós, né?! A gente não pode mais aceitar que nada seja colocado na nossa goela, nada com imposição. Graças ao advento da internet e das redes sociais, você consegue acessar sua música de preferência, seu livro, suas peças de teatro, suas exposições, consegue visitar vários museus, ler livros clássicos pela internet. Enfim… o acesso para quem tem a internet, para quem tem essa possibilidade, está muito mais fácil. Quanto a produzir, ‘tô’ sentindo na pele como são as coisas nessa área aqui no Brasil. Não é fácil, tudo está sendo dizimado por esse governo sem incentivo. Não existe apoio algum, mas a gente tá correndo atrás, porque a gente acredita muito na nossa história, no nosso projeto e sabe que tem um público muito ávido para conhecer a história d’Os Trapalhões.

• Quando está previsto para estrear o documentário “Trapalhadas Sem Fim”?

Rafael Spaca: O documentário vai ser lançado este ano. Ainda não sei ao certo o mês, mas vai ser lançado este ano e nos próximos dias estou lançando um livro chamado ‘Mestres do Traço’ pela Avec editoria.

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Mestres do Traço (Foto: Reprodução)

*Para acompanhar as notícias do documentário, basta seguir no Instagram @rafaelspaca




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