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O megacompositor e cantor brasileiro Lulu Santos está revisitando uma página de sucesso da sua carreira. Em 1988, em meio a epidemia do HIV, Lulu lançou “A cura”, com versos que faziam clara alusão a doença. À época, o diagnóstico em relação ao vírus HIV era como uma sentença de morte.

Mais de três décadas se passaram e o mundo vive uma outra crise de saúde. Por isso, Lulu decidiu ressignificar a canção. Durante a pandemia do novo coronavírus, os mais preocupados com a coletividade se viram obrigados a manter isolamento social, mesmo contra as medidas negacionistas do Governo Federal. Os encontros com familiares e queridos se tornaram impossíveis. O cantor pensa que a chegada da cura, através da vacina, cada vez mais próxima, é um motivo para se alegrar. E a canção relançada nesta quarta (27/01) pode ser um hino de esperança.

“Os paralelos entre os dois momentos são evidentes. Na década de 80, os ativistas gays, a primeira comunidade atingida pela Aids, acusavam justamente o governo de descaso na busca por uma solução clínica”, disse Lulu em entrevista ao Globo.com.

Embora “A cura” não seja a única música de Lulu a ganhar fôlego muitos anos após o lançamento original – como “Tempos Modernos” e “Como Uma Onda”, por exemplo – é a que mais possui valor simbólico. No último dia 17, a Anvisa aprovou a aplicação emergencial das vacinas de Oxford e da Coronavac em território nacional, e foi o suficiente para alavancar o acesso ao clássico nas plataformas de streaming.

Mas Lulu não está nessa sozinho. Ele conta com a ajuda do cantor gaúcho Vitor Kley, a voz do hit “O Sol”. Vitor conta que foi Lulu quem resolveu lançar mais rapidamente a nova versão.

“Ele me mandou uma mensagem dizendo algo como ‘bora soltar logo essa faixa, a vacina tá aí!’. E concordo demais. Que a vacina chegue logo para tentarmos nos curar”.

 

A ideia surgiu após Vitor Kley preparar uma versão para um programa televisivo. Segundo Vitor, a versão agradou tanto a ele e a sua produção que decidiram pedir permissão a Lulu para gravar e lançar. Depois de conversas e encontros – com os cuidados requeridos pela situação de pandemia – os dois produziram uma obra com a energia de Vitor e a experiência de Lulu.

“Ele é muito talentoso. ‘O sol’ é um hit inegável. Bate no ouvido, mesmo sem conhecer, e você entende que é hit. Acompanhei a parceria dele com Samuel (Rosa, em “A Tal Canção pra Lua”) e achei bonita a ponte que ele faz com a geração anterior, ele claramente se alimentou de ouvir com a gente”, disse Lulu sobre o jovem cantor.

O gaúcho afirmou que se sentiu tão bem cuidado e valorizado profissionalmente por Lulu que não quer que a parceria acabe por aqui.

“Lulu me deixou livre para fazer a canção do meu jeito. Ia no estúdio, gravava as partes dele e me perguntava se eu estava curtindo, se era como eu imaginava. Foi muito especial. Meu sonho agora é escrever uma música com ele, depois da pandemia. Pegar o violão, cantar coisas juntos e ver o que sairia”, disse.

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Catarinense, 25 anos e professor de Literatura e Língua Inglesa. Homem gay, apaixonado por música e que respira futebol e cultura latino-americana.