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O número de casamentos homoafetivos deve ser recorde em 2021 e superar a marca de 2018. É o que mostra um levantamento realizado pelo portal G1 com dados fornecidos pela Arpen (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais). A previsão é que, neste ano, tenha mais de 10 mil casamentos de pessoas do mesmo gênero registrados.

De janeiro a outubro de 2021, foram realizados 8.607 casamentos, segundo o levantamento do G1. Considerando a média mensal, a estimativa é passar dos 10 mil casamentos homoafetivos até o final do ano. Em 2018, foram registrados 9.520 uniões.

Em 2011, quando o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado, foram registrados 1.534 uniões naquele ano. Desde então, os números só crescem. Em 2021, só no mês de setembro, o número de casamentos homoafetivos foi de 1.135.

Leticia e Victória se casaram em 2018, após a eleição de Jair Bolsonaro (Foto: Celso Tavares/G1)

Entre os fatores que podem elevar ainda mais esses números este ano, é que dezembro costuma ser o mês com mais casamentos. Outro fator é a melhora da pandemia e a alta taxa de vacinação no país.

Ao G1, o casal Victória Martinez e Leticia Gonzalez contam por que escolheram se casar em 2018, após a eleição de Jair Bolsonaro. “A gente ficou com medo de perder os nossos direitos, de não poder casar, de as coisas retrocederem, de os nossos filhos não terem os mesmos direitos”, diz Leticia.

A festa do casal estava planejada para 2020, mas foi adiada por causa da pandemia. Victória e Letícia estão com os vestidos guardados e, após a festa, pretendem viajar – vacinadas- pelo mundo.

Willian e Thiago vão completar 8 anos juntos em abril de 2022 (Celso Tavares/G1)

Willian Alsan e Thiago Alsan vão completar 8 anos juntos em abril de 2022. Para eles, não foi fácil falar sobre a orientação sexual, já que ambos são de família evangélica. “Eu era da igreja evangélica. Eu tinha 15 anos, fiquei uma semana chorando e dizendo para Deus me levar”, conta Willian ao G1.

“Começaram a falar que eu era homossexual, que eu estava ficando com meninos. Mas eu não estava ainda. E aí eu falei: quer saber? Eu já estou com a fama e não fiz nada. Eu estou curioso, então eu vou testar para ver se é isso mesmo que eu gosto”, disse Thiago.

Casamento homoafetivo no Brasil

Em 2011, um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu a favor da união estável de casais homoafetivos. Dois anos depois, em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou uma resolução que ampliou a decisão para todo o país e exigiu que os cartórios realizassem os casamentos.

“O STF reconheceu que houve omissão do Legislativo e que deveria ter o reconhecimento da união estável para casais homoafetivos. Depois, o CNJ entendeu que precisava uniformizar a atuação de cartórios no país. Havia uma bagunça de alguns lugares aceitando e outros não, o que abria margem para discriminação e insegurança jurídica”, disse, Thiago Amparo, professor de direitos humanos da FGV Direito SP, ao G1.

“A grande vantagem é que o casamento deixa muito claro o início e o fim do regime de bens e isso evita a discussão se houve ou não união estável. Ali tem uma manifestação expressa que traz segurança jurídica para a questão de filhos ou mesmo se eventualmente acontecer um acidente”, afirma a diretora da Arpen Andreia Ruzzante Gagliardi.

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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)