Segundo os cineastas John Musker e Ron Clements, a vilã de “A Pequena Sereia”, Úrsula, foi inspirada em uma drag queen dos anos 80: Divine, que estrelou diversos filmes alternativos, como “Pink Flamingos”.

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Isso ocorreu porque o produtor cinematográfico do longa metragem, Howard Ashman, era gay e fã da drag, sendo responsável por escalar o elenco, criar os diálogos, as canções e desenvolver os personagens. Além dele, o animador do filme foi Rob Minkoff, que também era fã da drag, decidiu colocar a Úrsula como uma mulher gorda e com as maquiagens características propositalmente para remetê-la.

ursula dive
Reprodução

Na época, Divine estava no auge de sua carreira, lançando em 1988 o filme musical “Hairspray“, dirigido por John Waters. Antes dele, a drag também participou de outros longas, como “Pink Flamingos”, “Mondo Trasho” e “Problemas Femininos”.

Além da aparência física, a personalidade da vilã também foi inspirada na drag, mas evidentemente respeitando o universo infantil e, por isso, suavizando-a ao máximo. Os shows da Divine tinham uma linguagem “pesada” e ela era divertida mostrando uma caricatura da “natureza maligna” que também soava como libertadora. Um desejo de romper os padrões impostos pela sociedade já naquela época, abusando do sarcasmo.

Montagem: IG

As artes conceituais da vilã de “A Pequena Sereia” tinham olhos maquiados, joias e ela se movimentava de modo bastante glamouroso. A diferença é que, ao invés de tentáculos, Minkoff imaginava a personagem com uma cauda de tubarão e cabelo moicano.

“Ela parecia uma matrona de Miami Beach. Consigo até imaginá-la em uma piscina” – disse Ashman sobre os esboços iniciais.

Arte conceitual com as ideias de como seria personagem (Foto: Reprodução)

Infelizmente, o ator que dava vida a Divine, Glenn Milstead, morreu antes mesmo do clássico da Disney ser lançado de insuficiência cardíaca. De acordo com o já citado John Waters e também Jeffrey Schwars, que produziram um documentário contando a história da drag, ela teria ficado muito feliz com a homenagem e faria o papel de Úrsula.

Ashman também adoeceu, mas por complicações decorrentes do HIV, enquanto desenvolvia o “Aladdin”. Já o animador Minkoff virou cineasta e foi diretor de um dos maiores sucessos da Disney, “O Rei Leão”.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".