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Um homem de 61 anos, hétero, casado, com três filhos, decidiu adicionar dois novos itens em meio às roupas: saia e salto alto. Seu nome é Mark Bryan, nascido nos Estados Unidos, mas atualmente mora na Alemanha.

Especializado em engenharia robótica, Bryan tem mais de 130 mil seguidores no Instagram, e apresenta suas roupas que transitam no que a sociedade considera masculino e feminino.

“Sou apenas um cara heterossexual e bem casado que adora Porsche, mulheres bonitas, e que incorpora saltos altos e saias em meu guarda-roupa diário” – diz.

Segundo a publicação Bored Panda (via Isto É), Mark experimentou saltos pela primeira vez quando ainda estava na faculdade, a pedido de sua namorada da época, enquanto as saias vieram em 2016. Ele comentou que suas roupas favoritas são os sapatos de salto alto e a saia lápis, mesmo não sendo muito confortáveis.

“Mas realmente gosto da aparência dos saltos com uma saia justa” – disse. Ele também explica que sua sexualidade é constantemente questionada e que isso o deixa bem irritado: “Na maioria das vezes, respondo que não é da conta das pessoas, nas outras apenas falo que sou hétero”.

Bryan diz que tanto a esposa quanto os filhos apoiam em suas escolhas de roupas e dão sugestões: “Minha esposa sempre dá sugestões sobre o que devo vestir. Minha filha gostaria de poder pegar meus sapatos emprestados às vezes”. 

Hétero, casado e pai de três filhos usa saias e salto alto para mostrar que roupas não têm gênero
Montagem: Bored Panda

HOMOFOBIA E MANUTENÇÃO DA HETERONORMATIVIDADE

Segundo o TCC “A discriminação homofóbica por meio do humor: naturalização e manutenção da heteronormatividade no contexto organizacional”, as piadas homofóbicas disfarçadas de “humor” ou uma simples brincadeira estão diretamente relacionadas aos valores heteronormativos ensinados a sociedade.

Isso significa que quanto mais “heteronormativo” você for, ou seja, quanto mais masculino o homem for (dentro do que a sociedade ensina o que é ser masculino, como em trejeitos ou roupas) e quanto mais feminina a mulher for, mais privilegiada a pessoa será e mais “normal” ela será considerada na sociedade.

Caso a pessoa saia deste estereótipo, ela será vista com “maus olhos”, surgindo daí a chacota, que no início pode ser visto como uma simples “brincadeira inocente”, mas que acaba sendo o “berço” para comportamentos homofóbicos mais agressivos, como a violência física e verbal.

Homens heterossexuais com crenças precárias utilizam do humor homofóbico como forma de autoafirmação de sua masculinidade, utilizando piadas também sexistas e, em muitos casos, tendo diversos comportamentos que necessitam reforçar sua virilidade, vindo daí frases comuns como “homem não chora” ou “homem que é homem aguenta firme tudo”, ou piadas relacionadas ao “papel da mulher” na sociedade. Em casos mais graves, há homens que deixam de se higienizar adequadamente para reforçarem sua identidade masculina, levando a casos de amputação peniana por simples falta de higiene.

A “brincadeira inocente”, que é homofóbica, deixa de ser engraçada quando a pessoa entende que o fato do homem “ser viril” ou da mulher “ser feminina” não deveria ser motivo de valorização. O respeito começa com a aceitação das pessoas do jeito que elas são, independente de padrões pré-estabelecidos.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".