Na última terça, 14, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), unidade técnico-científica pública Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), anunciou um acordo com as empresas GSK e Viiv para desenvolvimento e produção de Dolutegravir, medicamento que é distribuído gratuitamente pelo SUS para mais de trezentas mil pessoas.

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O medicamento, que é um comprimido, é usado de forma combinada tanto para pessoas que vivem com HIV como também para casos de profilaxia pós-exposição (PEP) e é um dos mais modernos antirretrovirais no mundo. A produção visa a ampliação do acesso da população aos tratamentos antirretrovirais. No Brasil, o medicamento foi introduzido no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2016 e, atualmente, é distribuído a mais de 300 mil pacientes, o que representa cerca de metade das pessoas em tratamento contra o HIV atendidas pelo SUS.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, destaca a importância da cooperação para fortalecimento do SUS: “Esta cooperação reforça o compromisso da Fiocruz com a saúde pública e a qualidade de vida dos brasileiros. Por meio dessa parceria, iremos modernizar o tratamento de HIV no Brasil com potencial de beneficiar milhares de pacientes com a redução dos comprimidos e dos efeitos adversos. Ao mesmo tempo, daremos impulso à ciência e à produção nacionais, tão importantes para o fortalecimento do nosso Sistema Único de Saúde”.

A coprodução na Farmanguinhos também visa o desenvolvimento de uma concentração de antirretroviral que reúne os princípios ativos Dolutegravir e Lamivudina em um único comprimido. É a primeira vez que um tratamento antirretroviral ainda não comercializado no Brasil é objeto de uma aliança estratégica entre uma companhia multinacional e um laboratório público brasileiro.

57,74% dos brasileiros que contraíram HIV através de sexo são heterossexuais

Universidade Federal de São Paulo anuncia paciente que conseguiu eliminar o HIV

Em reportagem feita pela CNN, Roberta Russo e Luana Massuella apontam com exclusividade um tratamento brasileiro da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) realizado com pessoas que vivem com HIV indetectável que resultou na eliminação do vírus de um ser humano. O paciente, que é do sexo masculino e vivia há sete anos indetectável, está há 17 meses com amostra não reagente para HIV.

Coordenado pelo infectologista Ricardo Sobhie Diaz, o experimento que começou em 2013 tinha intuito de potencializar a velocidade do tratamento já utilizado pelos pacientes no SUS. Para o estudo, foram selecionadas pessoas que já se tratavam há mais de dois anos.

“A gente intensificou o tratamento. Usamos três substâncias no estudo, além de criar uma vacina personalizada com o DNA do paciente”, contou o infectologista à CNN.

Há um ano e meio sem tomar medicamento, o paciente com o vírus eliminado não quis se identificar, mas à CNN o mostrou o teste para negativo para diagnóstico do HIV realizado este ano. Segundo a reportagem, o vírus não aparece nem mesmo em diagnósticos mais profundos.

Apesar do resultado, o pesquisador afirma que ainda é cedo para falar em “cura”. Ainda não foi descartada a hipótese de reinfecção, mas Diz crê que é um resultado muito promissor.

A próxima fase do estudo deve contar com cinquenta ou sessenta pessoas e vai incluir mulheres como voluntárias, uma vez que esta primeira fase contou apenas com homens. No momento, a pesquisa está paralisada por conta da pandemia provocada pelo coronavírus.

GAY BLOG BR entrou em contato com o infectologista Ricardo Sobhie Diaz para entrevista.

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