Em uma estreia que misturou entretenimento e bastidores de grandes eventos LGBTQIA+, o talk show “No divã com a Silvetty” trouxe como convidados Lili Santana, organizadora de uma das festas mais conhecidas de Brasília, a Festa da Lili, e Fernando Scarpi, diretor e criador do renomado H&H Festival. A dupla compartilhou histórias inéditas e desafios enfrentados na produção de eventos que, ao longo dos anos, conquistaram relevância na cena LGBTQIA+ nacional e internacional.
Durante o bate-papo, Silvetty Montilla, que conduz o programa, extraiu detalhes curiosos e pouco conhecidos sobre os bastidores da produção dos eventos. Lili Santana, por exemplo, relembrou o início de sua festa, que nasceu como uma comemoração de aniversário com 600 pessoas e, hoje, atrai um público de até 15 mil participantes. “Muitas das pessoas que entraram no evento eu nem conhecia! Foi aí que percebi como Brasília era carente de festas assim. Depois dessa, o público pediu outra, e assim a festa foi crescendo”, comentou Lili, que está há 19 anos à frente da festa.
Fernando Scarpi, por sua vez, falou sobre a trajetória do H&H Festival, que começou há 16 anos em Sauipe e se tornou um evento pioneiro no país, especialmente por seu formato inovador que une turismo e entretenimento. “O H&H surgiu com a ideia de unir turismo e entretenimento. Desde a primeira edição, crescemos muito, enfrentando desafios, mas sempre inovando. O H&H se tornou pioneiro no Brasil, principalmente com o formato de cruzeiros e festivais em resorts”, disse Scarpi, que ainda destacou a fidelidade do público, que acompanha o evento ao longo de todos esses anos.

Um dos pontos altos da entrevista foi quando Lili revelou um momento emocionante de sua carreira: uma cliente que, com um saco de moedas, foi até o evento de bicicleta para comprar um ingresso. “Eu olho para este momento com muito carinho. Então, a partir do momento que ela saiu de casa para ir até o meu evento, ela merecia todo o respeito, tanto meu quanto da festa”, refletiu a organizadora.
Fernando também revisitou um lado mais pessoal, relatando os desafios enfrentados durante a pandemia. Ele mencionou o desgaste físico e emocional ao tentar manter o H&H Festival vivo em meio às incertezas, chegando a lidar com um quadro de estresse extremo. “Acho que muito ruim para todo mundo. Espero que a gente não reviva isso nunca”, desabafou.
Ao final do episódio, Silvetty fez questão de destacar a importância do trabalho de seus convidados, especialmente em um cenário tão exigente como o das festas e festivais. Lili e Fernando ainda deixaram dicas sobre o futuro de seus eventos, prometendo novidades e experiências ainda mais imersivas nos próximos anos.
A íntegra da entrevista está disponível no canal oficial do Planeta HH no YouTube.
Confira alguns trechos da entrevista:
NO DIVÃ COM A SILVETTY
Entrevista #1 – Fernando Scarpi e Lili Santana
Silvetty Montilla: Esta é a primeira entrevista da Lili, ela me deu a mão aqui e a mulher estava um gelo. Mas vai ser tudo tranquilo, viu Lili? E eu queria começar pela Lili, pelas mulheres, né, Fernando? Lili, quero saber como tudo aconteceu. Essa festa, que é um sucesso e conhecidíssima, como foi a primeira e como foi fazer essa festa durante anos?
Lili Santana: A primeira festa começou como meu aniversário. Fiz meu aniversário e apareceram 600 pessoas, e eu não sabia nem quem era quem. E assim eu percebi que Brasília era muito carente no ramo das festas.
Silvetty Montilla: E foi onde a primeira festa?
Lili Santana: Foi na chácara de um amigo. E foi muito legal a festa. Quando terminou, o público me pediu para fazer a segunda festa. E eu fiz a segunda.
Silvetty Montilla: Aí deu um público maior?
Lili Santana: Era R$10 e uma caixinha de cerveja. E isso era só no boca a boca. A segunda festa deu 800 pessoas.
Silvetty Montilla: Qual foi o maior número de público que você teve?
Lili Santana: 15 mil pessoas. Para quem começou com R$10 e uma caixinha de cerveja e hoje faz a festa dentro do gramado do estádio de Brasília… Fico muito feliz.
Silvetty Montilla: E em que mês você realiza a Festa da Lili?
Lili Santana: Sempre em agosto, no primeiro final de semana de agosto. Teve agora, no dia 5 de agosto. E foi bem, cada dia me surpreende mais.
Silvetty Montilla: E já apareceram vários DJs, várias pessoas na sua festa…
Lili Santana: Vários DJs, várias performances. Eu tenho uma parceria com o Manu Santoro há muitos anos. Ele sempre esteve comigo desde o começo e vai continuar por muitos anos.
Silvetty Montilla: E quantos anos já faz a festa?
Lili Santana: 19 anos.
Silvetty Montilla: 19 anos! E você, Fernando? Criador, diretor, produtor, faz a faxina se precisar. Conte tudo. Como começou esse festival, que também é um grande sucesso?
Fernando Scarpi: Bom, primeiro é uma honra. Obrigado por me receber aqui no teu divã. É uma honra muito grande estar ao lado da Lili, uma figura icônica como essa, Lili Santana, né? Que de fato nunca deu entrevista…
Lili Santana: Nunca dei entrevista. Sou muito tímida. Você pode me pedir para fazer dez palcos, e eu vou te entregar os palcos mais incríveis. Mas não sou de fazer entrevistas.
Silvetty Montilla: Que signo você é, Lili?
Lili Santana: Sou canceriana.
Silvetty Montilla: Ai, que nem eu! A gente é tímida!
Fernando Scarpi: Eu também sou câncer! Dia 1 de julho!
Lili Santana: Sou de 20 de julho!
Silvetty Montilla: E eu do dia 10! Olha, gente, é a festa dos cancerianos. Mas continua aí, Fê.
Fernando Scarpi: Então, é uma honra estar aqui. O H&H começou com uma oportunidade que eu vi no mercado, que ninguém trabalhava, que era esse binômio de turismo e entretenimento. Então, começou em Sauipe. Há 16 anos. Nas primeiras edições, a Lili também estava lá. A gente fez um evento especial em Sauípe e pra vamos voltar para Sauípe. Começou como um projeto piloto. Eu nunca esqueço os desafios e as coisas que tivemos que superar ao longo desse processo de criação e concepção. Quebrar barreiras, né? Acho que desde o início, o HH nasceu com essa vocação de ser pioneiro. Então, tudo o que fazemos tem essa vocação de sermos os primeiros, quebrar barreiras e inovar. O quesito de inovação é algo que prezamos muito.
Silvetty Montilla: Cruzeiro tem vários, mas o da H&H é pioneiro e único.
Fernando Scarpi: Eu até brinco que pode ter outro navio temático, pode ter outro cruzeiro gay, mas o HH Festival a bordo de um navio foi único, né? E a gente entendeu que o modelo navio é um modelo muito específico, com diversas questões que vão ser modelos. O Cruise Edition vai ser edições especiais que nós vamos ter, mas o já tradicional Resort Edition que a gente vem aí. Há 16 anos saímos de Sauípe, fomos para o Vila Galé, em Cumbuco, passamos de Guarajuba, fizemos uma edição menor em Angra, fizemos outra edição menor no Clube Med, em Trancoso, fomos para o Enotel em Porto de Galinhas. Aí voltamos para Cumbuco. Agora voltamos para Sauipe, né? É um resort que está totalmente remodelado do que era anteriormente. Então, falando assim muito brevemente, ao longo desses 16 anos, o festival cresceu. O público mudou. Mas o mais bacana é que a gente tem até hoje pessoas que foram desde o primeiro, que seguem ali fielmente.
Silvetty Montilla: Lili, e a sua festa acontece só em Brasília? Você já chegou a sair de Brasília?
Lili Santana: Acontece mais em Brasília. Mas já fiz festa aqui em São Paulo. Eu fiz festa já com o Fernando, com outros parceiros. Mas o meu forte é Brasília, então eu tenho que levar as pessoas até Brasília. Vai, gente do Brasil inteiro.
Silvetty Montilla: E você imaginava lá atrás, há 19 anos, que seria esse sucesso que é hoje, super conhecida essa sua festa?
Lili Santana: Não imaginava porque assim foi. Foi uma brincadeira. E eu era muito comunicativa, fazia amizade com todo mundo, fácil, rápido. E aquilo foi crescendo muito rápido e foi me assustando. E então assim eu lembro que a primeira festa eu ganhei 60 mil reais. Eu falei: “Nossa, isso é bom”. Lógico.
Silvetty Montilla: Por que o público gay, que gasta, é maravilhoso, mas muito exigente, né?
Lili Santana: E tá certo, né? Qualquer coisa que você for fazer na sua vida, as pessoas têm que ser.
Silvetty Montilla: Ainda mais como você está pagando. Você quer qualidade…
Lili Santana: Eu me vejo como cliente, então eu sempre me ponho como cliente. Então, assim, se tá pagando, quer qualidade.
Fernando Scarpi: Qualidade é uma coisa que eu gosto muito na Lili, que eu me vejo muito nela nisso também, né? No nosso mercado, quando a gente fala de entretenimento, de festa e tudo mais, o ego das pessoas é algo que às vezes bate no teto e volta, né? E aí o que acontece? A Lili é daquelas que põe a mão na massa, que não tem carregador para pegar a grade. Ela vai lá e pega a grade e põe na lomba. E vai e faz acontecer.
Lili Santana: Eu faço acontecer. Eu já carreguei até banheiro químico, então eu não tenho problema. Eu tenho que entregar o melhor para o meu público, sim. Então, assim, hoje estou há 19 anos e eles me acompanham. Então eu tenho que dar o melhor para eles e sempre brinco: sou funcionária deles. Eles que pagam meu salário, eles que pagam o cachê do DJ, de um funcionário que tá lá na limpeza, para um segurança. São eles.
Fernando Scarpi: O público não faz a mínima ideia do que acontece ou do que é necessário fazer para que aquilo seja entregue com nível de excelência, como é a festa da Lili, como é o HH… É muita coisa que rola ali.
Silvetty Montilla: E por mais que você faça o melhor, sempre tem alguém que vai falar alguma coisinha, né?
Lili Santana: Por trás dos bastidores, é muita coisa, né? Então, assim, quando as pessoas chegam e falam: “Nossa, que palco maravilhoso!”, mas não sabem o quanto fico sem dormir, preocupada, com medo de como o público vai aceitar, como o público vai falar: “Nossa, será que tá legal? Será que não tá?”
Silvetty Montilla: Nas suas festas tem um tema ou não?
Lili Santana: Sempre trabalhamos com uma tema.
Silvetty Montilla: E o HH?
Fernando Scarpi: Essa é uma inovação que trouxemos com o Planeta HH. Na realidade, quando fizemos 10 anos em 2018, apropriamo-nos de uma plataforma que organicamente e naturalmente traduzia o que era o HH Festival, na época. Trouxemos essa ideia do “planeta secreto” e começamos a explorar esses diferentes temas com os continentes – então cada continente era tema de um evento diferente. Ao longo dos anos, fomos expandindo e agora trouxemos para o público um posicionamento multimidia, para dar vida a uma real imersão 360. A partir de agora, o HH Festival vai trabalhar temas de forma mais ampla. Eu brinco que vamos nos transformar em um Tomorrowland para o público gay, em resorts ou navios, ou onde quer que seja, o que é um pouco do que a Lili já vem trabalhando também há anos em seus eventos. Isso vem muito alinhado com uma mudança comportamental do público, o que é muito bacana falar. [Para] o público mais antigo e fiel, que nos acompanha há 16 anos, o HH Festival era um ambiente seguro, um momento do ano em que as pessoas podiam ser livres, literalmente “sair do armário”. Para o público mais novo, essa nova geração que já chegou com o pé na porta, você vai falar de “sair do armário”? É uma galera que já nasceu “fora do armário”. Hoje em dia, as pessoas valorizam muito mais o momento do “photoshoot“, do Instagram, do “close”. Então, a HH vem trabalhando, e vai trabalhar muito fortemente a partir de agora, nesse quesito também.
Silvetty Montilla: Lili e Fernando, gostaria que cada um de vocês falasse [sobre] as parcerias da Lili com o HH, como surgiram?
Lili Santana: Minha parceria com Fernando já é de muitos anos. Uma parceria muito saudável e muito fiel também. É uma parceria com a qual gosto de trabalhar. Ele olha com muito carinho para o selo [Festa da Lili]. Eu tenho muito cuidado com o selo “Festa da Lili”, porque batalhei muito para chegar aos 19 anos. Eu posso ser convidada para ir a algum evento, ser convidada para fazer uma festa, mas eu olho muito quem são os parceiros, porque, às vezes, esse parceiro pode destruir minha marca. Foi muita luta para chegar aos 19 anos. O Fernando tem um carinho e respeito pela marca, como se fosse dele. Quando ele fala: “Vamos fechar com o HH?”, eu já falo: “Está fechado!”
Silvetty Montilla: E você, Fernando? Como foi essa parceria?
Fernando Scarpi: A parceria foi nas primeiras edições, em Sauípe. [Sobre] essa questão que a Lili coloca do carinho com as marcas, antes, o HH acabava sendo um celeiro de várias marcas e a gente sempre as encarou como um fator agregador de conteúdo. Não era simplesmente pegar uma marca e colocar num flyer ou numa comunicação. Então, nós exploramos conjuntamente, a oito mãos, visuais, show, performance, cenografia. Ou seja, é pegar a essência da marca, o conteúdo e trazer para dentro do festival, com diferentes experiências e diferentes propostas. A parceria com a Lili deu super certo, justamente porque ela tem esse carinho com a marca dela. Ela sabe explorar essa questão dos temas muito bem e isso é um valor agregado para o festival. Obviamente que, agora, com esse novo posicionamento do HH, vamos ter algumas mudanças em termos estruturais, porque vamos começar a ter os eventos proprietários, onde a relação da HH com os parceiros, que ao longo dos anos foram diminuindo, também vai mudar um pouquinho nesse novo formato que vamos trazer.
Silvetty Montilla: Aproveitando esse gancho, eu queria falar para vocês dois [sobre] a questão do pensamento nesses temas, Termina uma Festa da Lili, termina o HH, e vocês já começam a pensar ou só depois de oito, seis meses que vem isso?
Fernando Scarpi: Eu já estou trabalhando em 2029, na realidade. A gente já tem um planejamento lá na frente. Como a gente trabalha com essa questão de turismo, mais entretenimento, [pois] não é só festa, a gente começa, com muitos anos de antecedência, a preparar tudo.
Silvetty Montilla: E você, Lili?
Lili Santana: Eu termino uma festa e já estou pensando na outra.
Fernando Scarpi: Então conta um spoiler. Qual é o próximo tema?
Lili Santana: Surpresa!
Silvetty Montilla: Eu acredito que não é fácil fazer festas de um porte tão grande como esse. Quais são as dificuldades?
Lili Santana: Não é tão fácil. E as pessoas olham e falam assim: “Nossa, eu vou fazer um evento, vou fazer que nem a ‘Festa da Lili'”. Eu acho que cada um tem o seu jeito, forma de trabalhar e eu respeito cada um [nisso. Mas] você tem que focar no seu, esquecer o que é do vizinho e entregar o seu trabalho. Não é tão fácil fazer um evento por trás disso tudo. A primeira festa não foi tão difícil porque era um aniversário. Mas, a partir da terceira festa, eu falei: “Opa, agora começou a tomar outro rumo”. Eu não sabia nem o que era alvará. Comecei, então, a tirar alvará, pagar Ecad… Por trás disso tudo, é muita coisa. Não é só fazer um evento, porque, a partir do momento que você faz um evento, é uma responsabilidade com o público. Se acontece alguma coisa, a responsabilidade é nossa.
Silvetty Montilla: As pessoas visam muito o dinheiro, mas acham que você não batalha, que não é duro para conseguir fazer aquela festa.
Lili Santana: As pessoas olham e pensam que é no “oba-oba”, [mas] não é. É como eu estou te falando, antes, eu não sabia o que era alvará. Hoje, se você me pedir um documento, eu entrego na sua mão. Hoje, o evento é todo num documento, tudo certinho. E é muito imposto. Não é só olhar e falar: “Nossa, aquele palco! Nossa, a Lili está rica!”
Fernando Scarpi: Acho que quando a gente chega a um determinado patamar, é muito complicado. Como eu disse, as pessoas não fazem ideia da magnitude de tudo que é envolvido ali para que isso aconteça. Essa questão de segurança é uma coisa extremamente prioritária para nós. A gente tem um posto médico próprio, por exemplo, que a gente levou para o navio. São muito poucos [empresários] que levam isso realmente a sério. É algo que a gente tem dentro da HH e que é extremamente prioritário para nós, não só entregar com excelência um palco, um show, mas essa questão de segurança, de bastidor.
Silvetty Montilla: Agora, Lili e Fernando, eu quero falar com vocês sobre futuro. O que vem pela frante? [Quais são as] novidades?
Fernando Scarpi: Nós estamos com esse novo posicionamento, estamos trabalhando e dando vida a ele, que é muito mais amplo do que as pessoas imaginam. O HH festival, com 16 anos, vai realmente se transformar numa experiência imersiva 360. Essa plataforma multimídia veio para trabalhar o antes e o depois das experiências in loco, reais, lá dentro do festival. Fora o HH, a gente tem o “Garotas ao Mar”, um festival que nasceu dentro do navio no ano passado e que já teve uma primeira edição menorzinha, só para mulheres. Foi em Cabo de Santo Agostinho (PE), no Vila Galé. Já lançamos a edição do ano que vem, 2025. É um festival muito legal, porque pegamos todas as lições aprendidas, que demoramos 16 anos para aprender, e colocamos em prática com garotas. Um festival para as meninas, onde a gente consegue ter um crescimento meteórico com em muito menos tempo. Recentemente, lançamos o “BENDITO Réveillon”, em São Miguel do Gostoso (RN), que é um evento com uma temporada inteira. Nós pegamos a cidade inteira de São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte, e ali também teremos outra experiência imersiva totalmente diferente. Então o som é diferente, não é tribal, é house, afro e disco, tem brasilidades ali, mas com uma pegada muito mais de música eletrônica. Temos sócios, a Biônica [por exemplo] é uma das maiores produtoras de eventos de música eletrônica do Brasil, [foi] quem trouxe o Afterlife, faz o Warung, faz esses grandes festivais em São Paulo; é toda a expertise deles na cena de música eletrônica, nacional e internacional, agregada à nossa operação de turismo e entretenimento num só pacote. Quem for lá terá uma experiência inesquecível e única.
Silvetty Montilla: Nós vamos [agora] para um túnel do tempo, para o futuro. Vamos mostrar duas fotos da Lili e do Fernando e vocês vão falar alguma coisinha para a gente. Começando com Fernando, você lembra dessas fotos? Quantos anos você tinha nelas?
Fernando Scarpi: Devia ter 1 ano, 2 no máximo. Eu era nerd desde pequeno, pelo visto. Antes de eu dar um recado para o meu ‘eu menor’, eu falaria sobre essa foto do meu ‘eu maior’, ao lado de uma figura tão icônica que, para mim, é um ídolo, o Abílio Diniz, que faleceu recentemente. Eu tive a honra de ter o Abílio como professor na GV, de um curso de extensão que eu fiz em dezembro do ano passado. Ele faleceu no começo deste ano, meses depois. Eu fui a última turma que ele deu aula na GV. É um empresário brilhante, alguém que as pessoas seguem o caminho. O meu recado para esse ‘eu pequeno’ tem a ver com a minha trajetória até aqui. Eu sempre fui um cara muito empreendedor, um cara que sempre fiz acontecer. Se você me der um desafio, eu falar: “Vamos fazer”, faça chuva ou faça sol, eu vou lá e faço. Meu recado: “Faça tudo igual. Não precisa fazer nada diferente, porque até as coisas que não deram certo, e essas são as principais, são aquelas que a gente aprende. A gente aprende muito mais na dor. A gente aprende muito mais quebrando a cara. Esses aprendizados são o que a gente leva da vida. A gente não leva o que compra, [mas sim] o que a gente conquista”. Esse é o recado que eu daria para esse mini Fernando.
Silvetty Montilla: Casado, solteiro, “tico-tico”?
Fernando Scarpi: Solteiro
Silvetty Montilla: Está aberto para negócios. Olha lá, gente, quem sabe… Agora nós vamos colocar uma sua, Lili. Olha lá, ela muito novinha. Não sabe nem quantos anos você tinha ali.
Lili Santana: Ali eu tinha uns 16 anos. Essa é uma foto em Parintins, na Festa do Boi. E foi uma festa incrível, muito bacana.
Silvetty Montilla: Conta [para a gente] o que você falaria para a Lili dessa época, aos 16 anos?
Lili Santana: Era muito espoleta e muito guerreira. Se eu falava assim: “Ah, eu vou conseguir essa caneca”, eu conseguia. Entendeu? Eu sempre busquei um desafio. Até mesmo no colégio eu era a cabeça de tudo. O povo me chamava quando tinha alguma coisa. Eu estava sempre à frente. Eu estudava em colégio de freiras, e a irmã Paulina, que era a diretora, sempre falava: “Vamos chamar a Liliane”. Eu era a frente de tudo. E era uma menina de uma cidade pequena, Manaus, […] e nessa idade eu já dominava a turma toda. E sempre conquistava tudo. Eu que fazia os eventos do colégio, então estava só esperando a hora para fazer um evento.
Silvetty Montilla: Agora, a gente vai para um segredinho. O que seria isso, Lili? [Tem] algum segredo, alguma coisa que você nunca contou? Algo que aconteceu em uma festa? Algum perrengue? É para você também, Fernando.
Lili Santana: Um segredo que eu tenho, que nunca falei e nunca divulguei, é algo que me emociono muito ao falar. Teve um evento, da ‘Festa da Lili’, em que chegou uma cliente de bicicleta com muitas moedas para comprar o ingresso. Eu não trabalho com VIP, e aquilo mexeu muito comigo. O evento não tinha nem acontecido ainda. Eu estava montando o evento e vejo aquela moça numa bicicleta, com um saco de moedas. Ela chegou para mim e falou: “Já abriu a bilheteria?” Eu falei: “Ainda não”. Ela: “Quando abrir, você me avisa?” Eu falei: “Tá bom.” Abriu a bilheteria e eu vi ela mexendo no saquinho de moeda. Eu cheguei onde ela estava e brinquei: “Tudo é moeda?” Ela falou: “É.” Na época, eu pegava muita moeda para troco e entrava muito dinheiro. Eu vi ela contando as moedas então falei assim: “Me acompanha, você vai ser VIP hoje na minha festa.” Aí ela começou a chorar e eu fiquei muito emocionada com aquilo. Eu pensei: “Poxa, acho que essa moça chegou para vir até o meu evento de bicicleta, ela merece o melhor dentro do meu evento.” E aí eu fui até o bar, dei duas champanhes para ela. Eu encontrava com ela, e ela estava despirocada com essas duas champanhes. Ela me abraçava tanto. Às vezes, a gente mexe com a felicidade das pessoas. Eu olho com muito carinho para isso. A partir do momento que ela saiu da casa dela para ir até o meu evento, ela merecia todo respeito, tanto de mim quanto da festa.
Silvetty Montilla: Antes do Fernando falar, eu queria falar uma coisa que acho muito interessante. Você falou que na sua festa não dá VIP. Acho maravilhoso [para um] viado impossibilitado de pagar. Em uma festa, uma boate, você tem funcionário, você tem DJ, você tem artista, você tem o pessoal da faxina e ninguém está indo ali de graça, pela amizade. Então, eu acho isso muito lindo. As pessoas às vezes brigam comigo, mas eu não acho justo. Você não está fazendo uma festa [de graça], você tem pessoas para pagar. Enquanto um evento numa boate, num bar, você abrir o bar para todo mundo beber de graça. Eu, Silvetty, acho bárbaro quando não tem. “Ah, não pode? Então não vá. Desculpe”. Não é menosprezando ninguém. Essa questão que você fez com a menina era uma outra coisa, foi um conceito diferente, uma sensibilidade que teve.
Lili Santana: Hoje não me pedem mais VIP porque sabem que eu não trabalho com VIP. Eu não consigo trabalhar com isso porque preciso pagar minha planilha. Dentro do meu evento, todos recebem, nunca deixei de pagar ninguém. E eu espero que o público entenda porque, quando é pago, eu consigo fazer um palco maravilhoso, tem toda uma estrutura que eu não conseguiria com o VIP.
Silvetty Montilla: E você, Fernando? Fale aí uma curiosidade, alguma coisa que aconteceu… [Sobre] o dia que você fez stripper no Cruzeiro – a gente ficou sabendo.
Fernando Scarpi: Eu não deveria ter tomado Zolpidem [risos]. Eu não tenho muitos segredos, mas vou contar um caso curioso e que tem a ver com uma fase também muito difícil que passei. Todos nós passamos por conta da pandemia, a incerteza e ainda mais quem trabalha com turismo, especialmente entretenimento e eventos, que foram os primeiros setores que fecharam. E foi bem nessa época que a gente lançou o primeiro navio e você imagina, né? Um plano de negócios com dólar máximo a US$ 4,30 e eu cheguei a pagar o fretamento com dólar a US$ 6,00. Isso desestruturou completamente a empresa, [ainda mais que era] o primeiro navio. Foram tantos percalços e tantas batalhas que a gente fez para que aquele primeiro navio saísse em 2021. A gente lançou em 2019 e veio a pandemia. Era para acontecer em 2020 e adiamos para 2021 e com todas as limitações. Eu participei até da reunião de liberação da Anvisa. O HH Cruise Edition, em 2021, foi um dos primeiros eventos grandes do Brasil a serem eventos teste do país, por conta da pandemia. Eu participei de debates junto com órgãos públicos, junto com uma série de armadores e tudo mais, para ver todas as limitações e as regras sanitárias. Aquilo, para mim, foi um desgaste muito grande. Eu cheguei a bordo do navio, saímos com ele e simplesmente explodi fisicamente. Uma herpes me atacou e fiquei com as costas inteiras em carne viva. Eu me tranquei no banheiro do navio e olhei para ver como estava minhas costas. Aquilo ali era o meu corpo falando: “Para. Dá um chega. Você já passou do seu limite e muito”. Isso é uma coisa que as pessoas não sabem, o quanto que a gente se desgasta. Porque todo mundo acha: “Olha o Scarpi ali, a Lili, vamos lá tomar uma champa, vamos não sei o quê. Vamos sair daqui e tomar uma”. Mas é aquela frase: “As pessoas veem o close mas não veem o corre”.
Silvetty Montilla: Todo mundo quer te ver bem, mas não melhor que elas.
Fernando Scarpi: Esse foi um fato que me marcou muito, porque eu me vi naquele estado, fisicamente debilitado por estresse, por desgaste. Foi um período muito ruim para todo mundo. Espero que a gente não reviva isso nunca. Mas, como eu disse para o meu mini Scarpi: lições aprendidas. Eu acho que a gente aprende muito. Foi uma lição aprendida, sem dúvida.
Silvetty Montilla: Agora a gente vai para aquilo mais gostoso, o “pingue-pongue”. Diversidade?
Fernando Scarpi: Essencial.
Lili Santana: Essencial também.
Silvetty Montilla: “Festa da Lili”?
Lili Santana: Espetáculo.
Fernando Scarpi: Minha parceira, meu coração, meu cheiro.
Silvetty Montilla: Inspiração diária?
Lili Santana: Patrícia. Hoje é ela uma sócia, mais que qualquer coisa na minha vida. Ela quem cria os temas.
Fernando Scarpi: Meu cachorro.
Silvetty Montilla: Maior desafio?
Fernando Scarpi: Pagar conta [risos].
Lili Santana: Festa de aniversário.
Silvetty Montilla: Tendências?
Fernando Scarpi: Esse é um desafio. Saber capturar a tendência, trabalhar e antecipar-se para inovar é o grande desafio.
Silvetty Montilla: Parceria inesquecível?
Lili Santana: Esse rapaz aqui [Fernando Scarpi]. Não porque eu esteja do lado dele, mas é uma parceria que eu gosto muito.
Silvetty Montilla: Evento dos sonhos?
Fernando Scarpi: O próximo.
Lili Santana: Ver o Mané Garrincha [estádio em Brasília] entupido [de gente].
Silvetty Montilla: Hell ou Heaven?
Fernando Scarpi: Eu já fui “Hell”, já fui “Heaven”, acho que agora estou “Hell and Heaven”.
Lili Santana: “Hell and Heaven” [risos]
Silvetty Montilla: Nós tivemos esse papo maravilhoso, com dois grandes nomes da cena. Queria agradecer a presença de vocês no meu divã e gostaria que vocês deixassem uma mensagem e as suas redes sociais.
Lili Santana: Eu quero agradecer o Fernando, meu parceiro. Você [Silvetty], com essa entrevista maravilhosa.. Você viu que eu fiquei nervosa no começo? Mas foi ótimo. E [que pedir] que o público conheça o HH, que é um festival maravilhoso e que eu indico muito. O Instagram é @festadalili, só entrar lá que tem tudo.
Fernando Scarpi: Eu quero agradecer, de novo, por estar aqui no teu divã, agradecer ao Victor, da Blue Space, e a todo o time incrível. Eu falo que eu não estaria onde eu estou, e ainda tem muito chão para chegar, se eu não tivesse pessoas que constroem essa jornada juntos. Quero agradecer a vocês, agradecer à Lili por estar aqui. Tem muita coisa nova e muito chão para fazermos juntos. O Instagram é @planetahh.
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