Viúva de Marielle Franco, a vereadora e arquiteta Monica Benício (PSOL) apresentou o Projeto de Lei Nº 8/2021 na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro para que haja o Dia da Visibilidade Lésbica no Calendário Oficial da Cidade do Rio de Janeiro, sendo comemorado em 29 de agosto. A escolha da data é para homenagear o 1º Seminário Nacional de Lésbicas – Senale, feito no dia 29 de agosto de 1996. As informações são do Diário do Rio.
Benício diz que a data vai ser importante para que as mulheres lésbicas tenham mais visibilidade e reconhecimento: “há quem se ache no direito de não reconhecer a existência e a dignidade de mulheres lésbicas. Da falta de dados oficiais do Estado sobre essa população, à não consideração de mulheres que amam mulheres nas políticas públicas, a invisibilidade das mulheres lésbicas é a regra. É urgente o reconhecimento para a produção e promoção de políticas públicas que atendam essa população.”

Ela também comenta que “a invisibilidade das mulheres lésbicas tem, sim, consequências. …que 126 mulheres foram mortas de 2014 a 2017, por serem lésbicas. No ano de 2017, 37% das mortes ocorreram na região sudeste. Em relação à violência sexual, em média, seis mulheres lésbicas foram estupradas por dia em 2017, em um total de 2.379 casos registrados, segundo levantamento da Gênero e Número. E, em 61% dos casos notificados, a vítima foi estuprada mais de uma vez.”
Em 2017, Marielle Franco apresentou um projeto similar, e segundo Monica Benício, a aprovação do PL na Câmara dos Vereadores teria “a oportunidade de reparar esta história, reconhecer a importância das mulheres lésbicas na sociedade, contribuir para o fim das diversas violências contra mulheres lésbicas; e de se juntar ao mundo na afirmação daqueles que clamam por justiça no grito: Marielle, presente!”.
“As mulheres lésbicas são alvo de violência simbólica, verbal, psicológica, física e econômica em todos os espaços: a família, a rua, os hospitais, a escola, o trabalho. Essa opressão imposta pela sociedade patriarcal causa muito sofrimento, podendo provocar a negação da própria sexualidade, afastamento de familiares, a construção de uma vida dupla e, em alguns casos, suicídio.”
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