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Andrea de Mayo nos deixou há pouco mais de vinte anos, mas sua figura mítica faz parte do cenário alternativo de São Paulo. Mayo era empresária, militante e tida como respeitada cafetina – também bastante temida, fazendo com que todos respeitassem as trans que habitavam seu espaço controlado com rigidez por ela. 

De Mayo intimidava traficantes e mauricinhos abusados que se atreviam a mexer com suas meninas. Nos anos oitenta, andava de carro importado, com um tchaco sob as axilas, apenas verificando se estava tudo “ok” no seu território. Não tinha medo, mesmo após ter levado seis tiros de um ex-namorado em uma tentativa de assassinato.

“Ela não era uma cafetina babadeira, do mal. Mas ninguém folgava com ela, michê, traficante, ladrãozinho… ninguém”, disse certa vez Claudia Wonder. “Uma vez uma travestizinha roubou uma correntinha do meu pescoço na Val Improviso. Andrea ficou sabendo, subiu no palco e falou que, se não devolvessem na hora, quem pegou ia se ver com ela. Não deu dois minutos e a correntinha estava de volta na minha mão”, lembrou Wonder, aos 55 anos.

A boate “Val Improviso” foi um de seus empreendimentos nos anos 70 na região central de São Paulo, que anos depois virou “Val Show”Quem conheceu a Val Improviso diz que era um inferninho em um prédio caindo aos pedaços, longe de qualquer luxo, porém frequentada por todas as tribos, de militares a bacanas, dos hypes aos profissionais do sexo. Na década de noventa, foi proprietária da boate Prohibidu’s, uma casa underground onde garçons trabalhavam nus.

Apesar de viver no “submundo” da noite, era tida como uma pessoa careta: não bebia, não se prostituía e nem usava drogas.

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Reprodução

Em 1988, um pouco sobre sua vida foi revelada em um documentário europeu (“Douleur D’Amour“) que contava com a presença de Thelma Lipp, Condessa Mônica, Claudia Wonder e outras figuras conhecidas do mundo trans.

Andrea de Mayo, quando não se produzia, usava o cabelo cheio e cultivava uma rala barba que contrastava com o singelo batom vermelho. “Ela havia cansado de se montar. Só muito de bom humor soltava o cabelo ou passava um batonzinho”, lembrou Kaká di Polly em depoimento para a Trip. As enormes coxas e nádegas tinham sido torneadas com litros de silicone industrial, que posteriormente lhe causou arrependimento.

Andréa de Mayo e o inseparável amigo Al Capone
Andrea de Maio, em um raro dia montada, ao lado do inseparável pequinês Al Capone – Crédito: Claudia Guimarães

Além do lado empresária da noite, Andrea dois apartamentos que alugava para trans, cada um com várias camas, onde viviam não se sabe lá quantas meninas. Lá ela também acolhia muitas pessoas vivendo com HIV que estavam marginalizadas. Ainda sim costumava ajudar, com regularidade, instituições de caridade com doação de alimentos. A veia militante partia da reivindicação para criação de um estatuto que pudesse resguardar os direitos da comunidade LGBT+.

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Andrea de Mayo – Reprodução

Andrea de Mayo transitava por todos os ambientes, era amiga do jurado Pedro de Lara (já falecido), Kaká di Polly, Walério Araújo e várias outras personalidades.

Comunicativa e inteligente, sabia como se expressar, marcou presença em vários programas televisivos, de Goulart de Andrade (mostrando como era feita a aplicação de silicone industrial pelas bombadeiras) a debates calorosos no Programa Livre, Márcia, Show de Calouros e vários outros da TV aberta.

Andréia em casa, com a bênção de um preto velho e do Long DongCrédito: Claudia Guimarães
Andrea em casa, com a bênção de um preto velho e do Long Dong – Crédito: Claudia Guimarães
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Andrea, um pouco antes de sua morte, mostrando uma foto da juventude – Crédito: Rogério Soares/Folhapress

Em 2000, se internou em uma clínica de cirurgia estética para retirar o silicone das coxas e nádegas, no entanto, a operação não foi bem sucedida, levando Mayo a óbito aos 50 anos. “O sonho dela era tirar aquela bunda, e ela foi embora sem a bunda”, lembra di Polly.

Mayo foi sepultada com o nome de batismo, porém dezesseis anos depois, recebeu uma placa com o seu verdadeiro nome (embaixo da original, conforme imagem abaixo). 

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Reprodução: Andrea de Mayo

Seu reinado foi assumido por outra trans – Cris Negão, que adotava um estilo mais violento, causando um temor geral, tendo sido assassinada em 2007.  

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