Você reparou a quantidade de gente que se cadastrou para receber o auxílio emergencial do governo? E o que esses dados mostram? Foram mais de 35 milhões de pessoas cadastradas, mostrando o tamanho da desigualdade no país. Pessoas que dependem, e muito, do serviço público de saúde, das instituições, do poder público, para fazer valer seus direitos. Mas, mesmo dentro dessa multidão (impensável em países desenvolvidos), há uma parcela da população em maior vulnerabilidade e que precisa de mais atenção nessa situação excepcional que atravessamos: a população trans.

Como já citei antes (veja aqui), das trans que estão na prostituição, 60% não queriam estar atuando nisso e as demais 40% dizem preferir a prostituição porque fora dela receberiam salários indignos. E, mesmo estando com empregos, tendo formação, em tempos de crise, será nesse nicho que acontecerão as primeiras demissões.

Estou trazendo esse assunto à tona agora por um motivo simples: EMPATIA.

A sociedade, apesar dos esforços do mandatário, está se mobilizando e criando redes de auxilio e apoio em várias frentes, com arrecadação de cestas básicas, fornecimento de alimentos, apoio psicológico e tentando atuar em frentes em que apenas o gesto humano de acolhimento é capaz de suprir as carências reais dos indivíduos. Só que “por não darmos a devida atenção e acolhimento, reservamos às pessoas trans um lugar marginal na sociedade.” nos diz Fe Maidel, em artigo sobre a visibilidade trans (veja aqui). Segundo ela, “muitas pessoas trans são empurradas para as ruas aos 13 ou 14 anos, pois suas famílias não entendem o processo de construção da identidade de gênero e acabam expulsando-as de casa. Elas acabam sem segurança, educação, sujeitas à violência, à morte.”

Coronavírus expõe as exclusões do cis-tema | Eliseu Neto
Coronavírus expõe as exclusões do cis-tema | Eliseu Neto

Estas pessoas estão em perigo. Sem emprego, sem condições de sustento, sujeitas ao preconceito. Sem ter a quem pedir auxílio, elas pedem socorro. Ações pipocam por todo o país, buscando diminuir, ajudar, acolher. Chegou a vez de atuar. Conseguimos levar à Casa Nem uma pequena contribuição. Em outros Estados, correligionários fazem o mesmo. Não estamos esperando aplausos por isso. Elas esperam sua ajuda!

Consegue ajudar? Procure no Mapa da Solidariedade e participe destas iniciativas!

“Travestis não são simulacros e não devem ser confundidas como ‘cópias de mulheres’.” Fe Maidel

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