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A florista e proprietária da Arlene´s Flowers, Barronelle Stutzman, em Richland, nos Estados Unidos, terá de pagar uma indenização de 5.000 dólares (cerca de R$ 28.212,00) por ter se negado a fazer arranjos de flores para o casamento homoafetivo entre Robert Ingersoll e Curt Freed em 2013. As informações são do Notícias Ao Minuto.

A justificativa dada pela florista é que ela é cristã, e não podia fazer as flores, independente de considerar Roberto Ingersoll como “grande amigo”.

“Eu sempre fiquei maravilhada em ter oportunidades criativas, como também adorei vender (a eles) os bouquets de flores. Mas, dessa vez, o evento especial que celebrava era seu casamento com outro homem. E essa é uma linha que não cruzarei, nem por amizade”, disse Barronelle Stutzman, acrescentando que sua atitude é baseada na Bíblia.

“Sou cristã e acredito na Bíblia e na Palavra de Deus […] Não podia pegar nos talentos artísticos que Ele me deu e usá-los para contradizer e desonrar a sua palavra”, justificou a florista.

Após oito anos na justiça, o Supremo Tribunal entendeu que a florista violava a lei de antidiscriminação de Washington por sua atitude.

Com a condenação, Robert e Curt disseram que vão doar o dinheiro a organização não governamental PFLAG, que ajuda pessoas LGBTQIA+ nos Estados Unidos.

Florista supostamente cristã terá de indenizar casal gay após recusar fazer arranjos de flores para casamento
Reprodução

Homossexualidade na visão religiosa

O relacionamento entre a homossexualidade e a religião varia conforme o segmento religioso, o tempo e os lugares. Muitas vezes há divergências entre os membros de uma determinada religião sobre os LGBTQIA+, o que leva a muitos debates.

Hoje em dia, o cristianismo tradicional ainda considera o comportamento homossexual como prática imoral ou pecaminosa, o que significa que caso a pessoa tenha “desejos homossexuais”, ela deverá renunciá-los em prol de ter uma vida mais próxima a Deus. Sentir o desejo não seria o pecado, mas ter relações sexuais, sim.  No entanto, há várias correntes mais progressistas que contestam essa visão, dizendo que a pessoa não pode ser condenada como pecadora por algo que é inerente a ela.

Dentro do judaísmo também não há um consenso, mas o rabino reformista Michel Schlesinger endossa o discurso dos cristãos progressistas, se manifestando no programa SuperPop da RedeTV! defendendo que se a pessoa nasce homossexual, você não pode condená-la como pecadora.

“Eu não posso condenar uma pessoa como pecadora se ela é baixinha, ou se ela é alta demais. Nem se tem olho castanho ou se tem olho azul. Da mesma forma, se uma pessoa é homossexual, não se pode falar em pecado”, disse.

Já Chico Xavier, do espiritismo, disse em 1971 no programa Pinga Fogo da extinta TV Tupi que a homossexualidade e bissexualidade são condições da alma humana e não devem ser “encarados como fenômenos espantosos” e nem serem atacadas pelo “ridículo da sociedade que desfruta de uma sexualidade dita normal” e, portanto, essas pessoas não deveriam ser “sentenciada as trevas”.

Dentro da Doutrina Espírita entende-se que o espírito humano não tem sexo. O doutrinador José B. de Campos prega que a questão mais importante no tocante à homossexualidade é a promiscuidade, aconselhando um homossexual a ter um parceiro e constituir um lar. O médium Divaldo Franco também alega que o homossexual, assim como o heterossexual, será julgado conforme a conduta moral, independente de sexualidade.

Já o Candomblé sempre acolheu os homossexuais e a condição nunca foi um empecilho para que as pessoas se tornassem sacerdotes ou tivessem alguma dificuldade dentro da estrutura hierárquica.

Para o Budismo, a homossexualidade é apenas “mais uma forma de existir”, não sendo uma ação não virtuosa (equivalente ao pecado dos cristãos) já que a pessoa não está fazendo mal a alguém. Por essa mesma razão, eles acolhem todos os segmentos LGBTQIA+, pois acreditam que a virtude ou a não virtude se dá com a intenção de seus atos.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"