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O terceiro episódio do talk showNo Divã com Silvetty” trouxe o diretor artístico Manu Santoro, figura fundamental no universo do entretenimento LGBTQIA+, para uma conversa cheia de histórias de bastidores e desafios da organização do H&H Festival. Com 15 anos de experiência, mais de 450 espetáculos dirigidos e à frente da Posers – empresa de performances que atua dentro e fora do Brasil – Manu compartilhou em conversa com Silvetty Montilla a jornada de criar experiências marcantes para o público.

Assista na íntegra:

Silvetty Montilla, sempre espirituosa, fez questão de agradecer a Manu pelo convite para o H&H Festival, conhecido por reunir milhares de pessoas e proporcionar uma experiência única no cenário LGBTQIA+. Durante a conversa, Manu explicou a criação do festival por Fernando, idealizador do evento, que teve a visão de misturar turismo com entretenimento.

É um festival que sempre lança e dita tendências. Desde o início, o H&H se destacou por inovar na cena eletrônica“, disse Manu, que vê o evento como um marco para o público LGBTQIA+. Em 2024, o H&H Festival retornará a Costa do Sauípe, onde foi realizado pela primeira vez, para comemorar seus 16 anos de sucesso. A expectativa é que o evento atraia uma multidão, prometendo uma estrutura ainda mais impressionante.

Manu também compartilhou os desafios logísticos e emocionais de organizar um evento desse porte, especialmente no cruzeiro H&H, que envolve múltiplas operações simultâneas. Ele relembrou os momentos de tensão e estresse ao longo dos anos, mencionando que já precisou se isolar para “ajoelhar e chorar” nos bastidores. “É muita energia, muito peso emocional… eu preciso que tudo flua bem para que o evento funcione”, desabafou Manu.

Além de relembrar histórias do festival, Manu comentou sobre sua carreira internacional, onde já realizou performances na Europa e nos Estados Unidos e revelou que seu próximo objetivo é levar sua arte para a Ásia. Ele encerrou a entrevista com uma mensagem de gratidão a todos que o apoiaram ao longo de sua trajetória e destacou a importância de comprar ingressos para o H&H Festival com antecedência, dado o grande volume de vendas.

O talk show “No Divã com Silvetty” segue trazendo personalidades e influenciadores do meio LGBTQIA+, proporcionando aos espectadores um espaço para histórias autênticas e divertidas. A série é realizada em parceria com a Blue Space e busca destacar diferentes vozes e talentos do entretenimento.

Silvetty Montilla e Manu Santoro - Divulgação
Silvetty Montilla e Manu Santoro – Divulgação

NO DIVÃ COM A SILVETTY
Entrevista #3 – Manu Santoro

Silvetty Montilla: Manu, faça suas apresentações, depois eu falo. É muito gratificante ter você aqui, viu? Muito obrigada.

Manu Santoro: Obrigado a você, Silvetty. A gente, que sempre fica no backstage, nunca imagina ser entrevistado por um ícone como você. A comunidade tem tanto orgulho de você e, estar nesse palco, nesse santuário, nesse lugar tão respeitado que é a Blue Space…

Silvetty Montilla: Então, hoje nosso convidado é ele, Manu Santoro, mais conhecido como… Será que eu posso falar? Biluxa. De onde veio esse apelido?

Manu Santoro: Ela é louca! Essa bixa é louca!

Silvetty Montilla: É o Fernando que [criou]…

Manu Santoro: É… fala que eu sou a bicha gorducha.

Silvetty Montilla: Olha lá. E no seu casamento, ele entrou com essa?

Manu Santoro: Ele entrou com essa.

Silvetty Montilla: Em 15 anos, você já tinha dirigido mais de 450 espetáculos. Fala um pouquinho da sua trajetória.

Manu Santoro: Eu tenho uma empresa de performance artística que começou na cena gay e, graças a Deus, hoje alçou novos voos dentro e fora do Brasil. Ano passado, fizemos 450 shows e, este ano, vamos bater a meta de 500 shows ao redor do mundo, de todos os tipos: eventos sociais, baladas gays, eventos corporativos, aberturas. Tudo que se possa sonhar em espetáculo criativo e artístico, eu e meu time fazemos.

Silvetty Montilla: E agora uma curiosidade minha: como surgiu a ideia do H&H? Quem trouxe essa ideia? Foi você ou veio de fora? Como foi? Explica para a gente.

Manu Santoro: Na verdade, o H&H é um festival do Fernando. Criativo como ele é e um exímio empresário, teve essa ideia lá atrás, de misturar entretenimento com turismo, o que deu super certo. Quando comecei a Posers, pensei: “Preciso atender esse festival”, porque ele tinha todo o embasamento para a gente alçar novos voos. Como a gente já fazia muita coisa no Brasil na cena gay, estar nesse festival era muito importante, pois ele sempre entrega com muita qualidade, carinho e cuidado, sempre preocupado [em ser] o número 1 com o público, então, para nós, era muito importante estar lá. O Fernando criou essa mescla de entretenimento e turismo. Ele não vende só uma festa.

Silvetty Montilla: E este ano comemora 16 anos. Passa tão rápido, né, gente? Parece que foi ontem que eu estava na Costa do Sauípe, onde foi o primeiro festival.

Manu Santoro: Você estava como juíza, não estava?

Silvetty Montilla: Sim, fiz uma lá na piscina. Foi muito legal. E este ano volta a ser em Sauípe, né?

Manu Santoro: Isso, volta para onde tudo começou.

Silvetty Montilla: Onde tudo começou. Já teve várias pessoas participando. Quem já participou?

Manu Santoro: O H&H é muito voltado para a música eletrônica, sempre focamos em ter esse estilo. Tivemos Daniela Mercury em alguns testes que fizemos, mas sempre com foco na cena eletrônica. É um festival muito “à frente do seu tempo”… um festival pioneiro. Sempre lançou e ditou tendências. Sempre lançamos algo e vemos isso depois acontecendo no mundo. A gente lança nomes de artistas.

Silvetty Montilla: Onde já teve edições?

Manu Santoro: Na Costa do Sauípe, em Cumbuco, também em Guarajuba, que eu amo, e Porto de Galinhas.

Silvetty Montilla: Ah, eu adoro Porto de Galinhas.

Manu Santoro: Eu gosto muito de Guarajuba porque eu acho pequenininho. Eu amo a Bahia. Fizemos no Vila Galé, foi ótimo. Fizemos alguns anos lá.

Silvetty Montilla: E essa festa? Tem diferença entre o cruzeiro e os resorts? Quantas pessoas são esperadas?

Manu Santoro: Depende do tamanho. Guarajuba, por exemplo, é menor, então abrigamos cerca de 2 mil pessoas. No navio, tivemos 3 mil e poucos passageiros. Em um resort grande, como em Porto de Galinhas, chegamos a ter quase 5 mil pessoas.

Silvetty Montilla: Quando começou na Costa do Sauípe, eram quantas?

Manu Santoro: Mil pessoas.

Silvetty Montilla: Olha que legal! Manu, durante o tempo que você foi diretor artístico do H&H, como foi? Algum acontecimento ou algo interessante que criou?

Manu Santoro: O H&H foi uma experiência linda da minha vida, vai ficar sempre no meu coração. Tenho gratidão imensa. É uma parte muito linda da minha vida e trajetória, que eu sou de verdade muito grato. Eu aprendi muito lá porque tinha muita liberdade criativa. Fernando e eu sempre desenvolvemos muitas coisas juntos. Ele é difícil para caralho, porque ele puxa muito, mas aprendi muito, lidando com profissionais incríveis. Ter vivido a experiência do navio foi um desafio tenebroso, com pandemia e muita logística. Você lembra?

Silvetty Montilla: O pessoal de fora acha que é tudo muito simples, montar um evento, dar conta de uma boate que nem o Victor tem aqui. A Blue Space vai fazer 29 anos, é uma vida. As pessoas acham que é tudo muito fácil.

Manu Santoro: Começar é fácil. Manter-se nesse rolê [é outra coisa].

Silvetty Montilla: Eu lembro de uma amiga, Natasha Dumont, que dizia: o importante não é acontecer, e sim sobreviver. Trabalhar com o público não é fácil.

Manu Santoro: Não é. Sou grato ao público gay, que me colocou onde estou. Mas, ao mesmo tempo, você vê a evolução da cena, como as coisas mudam, a coisa da droga que é algo que ainda mexe muito comigo e como impacta nos shows, nos espetáculos… é complexo. Continuando o que você tinha me perguntado, aprendi muito com as pessoas, fornecedores, parceiros e profissionais. Tive oportunidade de estar em lugares lindos e isso eu sou muito grato ao Fernando e ao festival. A virada de chave, o momento mais bonito foi quando vemos, de fato, o que o festival era e o que ele foi se tornando. Quando eu entrei e conseguimos fazer, de fato, um ‘palcão’, com uma puta cenografia, com efeitos especiais, um balé lindo, figurinos lindos, shows, espetáculos, som incrível e tudo bem alinhado, encaixado. No navio, tínhamos 300 operações ao mesmo tempo! Eu tinha que soltar piscina de popa fazendo ensaio na piscina central; o teatro ia começar e tinha, sei lá, a Silvetty doida com as sapatões no meio do bar… E era tudo ao mesmo tempo, simultâneo, tendo, ainda, que falar com cliente, fornecedor… Era uma loucura.

Silvetty Montilla: Parece loucura, né? As pessoas acham que é fácil, mas não é. Manu, agora vamos falar um pouquinho mais da sua carreira internacional.

Manu Santoro: Eu comecei, há muitos anos, na Espanha, onde acho que surgiu meu kick off criativo na noite. Depois, fiz meu curso de direção artística em Madri e tive contato com todas essas festas. Acabei ficando muito amigo dos donos dessas baladas, comecei a fazer performances lá. Hoje, sou muito amigo de diretores artísticos que, na época, eu era fã, e hoje em dia a gente troca figurinhas de igual para igual. Fazemos shows em vários lugares do mundo, já fiz muita turnê internacional com o Fernando, com o H&H, fizemos quase toda a Europa. A Posers já fez shows em vários lugares, incluindo o Estados Unidos. Tenho um sonho de começar a pisar na Ásia.

Silvetty Montilla: Muito chique! Tanto para o cruzeiro quanto para o festival H&H, vem muita gente de fora?

Manu Santoro: Sim, vem! Não chega a ser muita gente ainda, mas vem. O festival é pioneiro mas também único. Não existe hoje, no mundo, um festival igual ao H&H. O que eu quero dizer? Não existe um festival dentro de um hotel ou resort onde as pessoas se hospedam, comem e está tudo incluso; que a festa está há 10 passos do quarto dela. No modelo resort não existe [outro]. O boca a boca faz a coisa acontecer.

Silvetty Montilla: O que você espera do futuro?

Manu Santoro: Espero que a Posers continue prosperando. O maior orgulho que tenho é de dar oportunidade a tantos artistas. Só em Brasília, temos 150 artistas, assim como em São Paulo. Temos elenco em todas as capitais do Brasil, é muita gente. Dar oportunidade para tantas pessoas é o que mais me faz acordar todos os dias – o que mais me engrandece, como homem, profissional e empresário. A H&H o futuro já está aí, novembro batendo na porta, mas as novidades são surpresa. O que eu posso dizer é que vai ser mais incrível a cada ano. Nós sempre trabalhamos para que seja melhor e mais bonito. Como volta para Sauípe, o que eu posso dizer é que vamos aproveitar, pois a estrutura do lugar é surreal. Então, vamos aproveitar muito da estrutura de Sauípe para incrementar as nossas apresentações.

Silvetty Montilla: Manu, agora vamos para o túnel do tempo. Olha essa foto! Quantos anos você tinha aí?

Manu Santoro: Uns três, acho. Já tinha um franjão.

Silvetty Montilla: E o que diria para a Biluxita?

Manu Santoro: Vai bicha, se joga! Pode parecer meio clichê, [mas] eu era o azarão da minha família. Eu sou de família muito séria, de funcionários públicos, meu pai era advogado… Eu tenho um pé na arte, um tio é maestro. Ninguém imaginava que daria certo. Eu nunca acordei e falei: “Ah, vou ter uma empresa de performances artísticas”, mas a vida me colocou nesse lugar. É tipo, segue a meta, o foco, “vai que vai dar bom”.

Silvetty Montilla: Natural de Brasília?

Manu Santoro: Sim. Mas tenho família No Amazonas, meu pai era de lá, e minha mãe carioca. E os avós italianos.

Silvetty Montilla: Casado, solteiro?

Manu Santoro: Casado há 14 anos. Conheci em Brasília, dentro de casa, em um jogo da Copa do Mundo.

Silvetty Montilla: Que delícia! Agora queremos um segredo do H&H, algo nunca contado. Uma coisa só de bastidores ou algo seu.

Manu Santoro: Já me tranquei no banheiro do camarim para chorar muito. De ajoelhar e chorar, chorar e chorar. De cansaço, estresse, nervoso, energia, peso… sou uma pessoa muito de energias. Sou de escorpião. Energia para mim precisar estar boa para que as coisas andem. Às vezes são muitas pessoas, muita gente para lidar e você precisar estar com a cara de que está tudo bem. Chorei igual o nenenzinho em um banheiro de camarim.

Silvetty Montilla: Vamos para o pingue-pongue? Criatividade?

Manu Santoro: Me faz acordar todo dia.

Silvetty Montilla: H&H?

Manu Santoro: Gratidão.

Silvetty Montilla: Inspiração?

Manu Santoro: Tudo. Luz, mesa, floresta, roupa, tudo é inspiração.

Silvetty Montilla: Teatro ou show?

Manu Santoro: Show.

Silvetty Montilla: Brasil ou Europa?

Manu Santoro: Europa.

Silvetty Montilla: Inovação ou tradição?

Manu Santoro: Tradição.

Silvetty Montilla: Hell ou Heaven?

Manu Santoro: Heaven.

Silvetty Montilla: Quem te deu o apelido de Biluxa?

Manu Santoro: Fernando, o maluco. [Sobre quem é o Biluxa] Cara, persistente, criativo, amigo, fiel, família, coração, é isso.

Silvetty Montilla: Querido, obrigada pelo papo. Deixe suas redes sociais.

Manu Santoro: @manu_santoro e @posers

Podcast ‘No Divã com a Silvetty’ estreia com entrevistas de Fernando Scarpi e Lili Santana




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