TSE determina que Bolsonaro exclua todas as publicações sobre o inexistente ‘kit gay’

Ministro Carlos Horbach, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), suspendeu links de sites e redes sociais com a expressão "kit gay", usada por Jair Bolsonaro

O ministro Carlos Horbach, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de postagens no Facebook e no YouTube em que o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, critica o livro “Aparelho Sexual e Cia.” e afirma que a obra integraria material a ser distribuído a escolas públicas (chamado por ele de ‘kit gay‘).

Bolsonaro vinha afirmando que o livro é “uma coletânea de absurdos que estimula precocemente as crianças a se interessarem pelo sexo” e que “isso é uma porta aberta para a pedofilia”.

kit gay
Bonoro costuma levar o livro para passear durante as sessões do senado. Foto: Plantão Brasil

A decisão que mandou remover os vídeos da internet foi assinada nesta segunda-feira (15) e atendeu a pedido da campanha do candidato Fernando Haddad. O ministro concluiu que o vídeo “gera desinformação no período eleitoral, com prejuízo ao debate político”. “É igualmente notório o fato de que o projeto ‘Escola sem Homofobia’ não chegou a ser executado pelo Ministério da Educação, do que se conclui que não ensejou, de fato, a distribuição do material didático a ele relacionado”, escreveu na decisão.

O ‘kit gay’ nunca existiu

MEC já havia desmentido a informação anos anteriores e tornou se manifestar (juntamente com sites de checagem de notícias) que nunca houve compra do livro criticado por Bolsonaro, que é obra da escritora francesa Hélène Bruller e ilustrado pelo cartunista suíço Zep. O livro, inicialmente no mercado pela editora Companhia das Letras, estava fora de catálogo e agora voltará a ser distribuído por conta da publicidade que o candidato fez em rede nacional.

O termo “Kit Gay” foi criado com caráter pejorativo para se referir ao projeto Escola Sem Homofobia. O material – composto por um caderno, impressos e peças audiovisuais – foi encomendado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados ao Ministério da Educação (MEC) e elaborado por um grupo de ONGs especializadas, em conformidade com as diretrizes de um programa do governo federal lançado anteriormente, em 2004. Quando houve a polêmica sobre o seu conteúdo, em 2011, Haddad estava no comando do MEC. É possível baixar o PDF do projeto ‘Escola Sem Homofobia’ aqui.

‘Kit Gay’ é fanfic do candidato Jair Bolsonaro