Esses pedidos de impeachment que estão se acumulando se tornaram verdadeiras sinucas de bico. Como vocês sabem, os parlamentares estão trabalhando remotamente. E, por isso, o Rodrigo Maia só consegue colocar em pauta matérias que tenham grande consenso. Em suma, é impossível votar no Plenário virtual o impedimento de Bolsonaro numa ‘live’ com 513 deputados.

Derrubar Bolsonaro, questão de sobrevivência | Todd Tomorrow
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O presidente então sabe que no momento em que os parlamentares retornarem fisicamente pro Congresso, a sua deposição será discutida abertamente. Portanto, para sobreviver na presidência, ele precisa estender a crise do coronavírus até que consiga desarmar essa bomba relógio. São dois os caminhos que ele tenta nesse instante:

– Comprando os votos do ‘centrão’ com cargos, formando uma aliança fraca e de ocasião. Ele está tendo um certo sucesso nisso, pois essa gente já vendeu até as próprias mães;

– Convencendo os militares da ativa de que é viável e preciso dar um golpe em nome da ordem. Essas forças já disseram não pra essa aventura. Por isso mesmo, o presidente orquestra convulsão social através da própria omissão. Bolsonaro aposta que bastará uma agencia da Caixa incendiada para forçar esses atores a agir.

Um animal perigoso quando encurralado é ainda mais violento. E sabemos que Bolsonaro não se importará com as milhares de mortes que deve deixar nesse percurso. São danos colaterais que ele, sem sombra de dúvida, considera aceitáveis para sua autoproteção.

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