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GAY BLOG BR by SCRUFF

Sou um geek de coração desde que me dou por gente. Jogar (e programar) videogame, ler quadrinhos e ficção científica e ver séries são, até hoje, algumas das minhas paixões. Tem gente que acha tudo isso “coisa de nerd”, de gente isolada que não tira o nariz do computador ou do livro.

geek orkut

Eu penso diferente. Acho que esses passatempos liberam a criatividade e nos permitem explorar e inventar novos mundos. Sendo bem honesto, não me encaixo nesse estereótipo do geek introvertido. Pelo contrário: essas paixões me conectam ainda mais às pessoas e me ajudam a entender o que é ser humano.

Vou dar alguns exemplos. Desde menino, sou apaixonado por computadores, como vocês devem imaginar. Estava na quarta série quando ganhei o primeiro, um ZX Spectrum com 48 KB de memória. Fiquei super empolgado para jogar videogames, mas meu irmão mais velho me ensinou a fazer algo mais interessante: programar. Foi aí que eu aprendi as diferentes linguagens, como Basic, Pascal, C++ to Java, Objective C e Swift.

Enquanto meus amigos estavam brincando na rua, eu passava a maior parte do tempo no computador aprendendo a programar. Na verdade, estava criando videogames para depois chamar todo mundo para jogar. Meus colegas de classe davam vazão à criatividade tocando em uma banda de rock, pintando ou cantando. Eu fazia isso quando estava programando –e lendo histórias de ficção científica.

Comecei a ler Isaac Asimov e outros livros de ficção científica bem cedo. A série Robôs e a da Fundação são minhas favoritas. A primeira fala sobre as relações entre robôs, humanos e inteligência. Se hoje já vemos robôs aspirando chão ou sendo programados para dirigir um carro, vai ser muito interessante quando eles começarem a se parecer com humanos, como nos livros do Asimov. Já a série da Fundação segue uma linha do tempo de 50 mil anos. Imagina como eu fiquei empolgado de saber que a Apple está fazendo um programa de TV baseado nessa história. Não consigo nem pensar em como será!

No futuro, acho que os robôs vão ser exatamente como nós. Quando as máquinas ficam mais inteligentes, isso me faz imaginar o que vai nos diferenciar delas: nossa consciência, nossas paixões, nossa personalidade? Ou nossa busca por conexão, conhecimento e justiça? Acho que a imaginação é o que nos torna singulares como seres humanos: somos capazes de criar algo do nada, como uma pintura, uma música –e até um game.

Mergulhar nos livros me levou também a outros mundos, como a Sociologia e a Psicologia. Cada pessoa é um universo a ser explorado, e somos tão diferentes que isso me dá a maior curiosidade de descobrir como nos conectamos e nos relacionamos. Ao contrário das máquinas, os humanos são bem imprevisíveis (e é por isso que relacionamentos são tão desafiadores, certo?). Ao mesmo tempo, quando entro nas redes sociais, tenho a impressão de que a tecnologia está deixando as pessoas previsíveis. Tentando ser populares, todas estão se comportando da mesma maneira, seguindo a multidão. Continuo curioso para saber por que isso acontece.

Os quadrinhos também fazem parte do meu dia a dia desde a infância. Meus favoritos na vida são “Lucky Luke”, “Asterix e Obelix” e “As Aventuras de Tintim”. Mais recentemente tenho lido “Fábulas”, “Saga” e “X-Men”. Acho “Fábulas” muito bacana pela proposta: e se os personagens de contos de fadas, como a Cinderela e a Chapeuzinho Vermelho, vivessem no mundo de verdade, no meio de Nova Iorque? Já “Saga” é um clássico e tem um ótimo storytelling, além de desenhos maravilhosos. É uma história interessante de amor entre duas pessoas de planetas rivais e que estão lutando para sobreviver no meio desse conflito.

Vejo os quadrinhos como uma das expressões mais criativas que existem, porque os autores podem ilustrar e dar vida a um universo que não seria possível imaginar em um livro ou filme. Muitas vezes me sinto hipnotizado por essa imaginação. Acho a fantasia super importante, porque a vida é dura e às vezes precisamos fugir um pouco do que está acontecendo. Os quadrinhos nos permitem escapar para outro mundo e vivenciar outra realidade.

E eu ainda amo jogar videogames. Estou sempre esperando uma nova jornada do herói, como um cientista do “Half Life”, um veterano de guerra do “Mass Effect”, um caçador de tesouros do “Uncharted”, um caçador de monstros do “The Witcher” ou um entregador do “Death Stranding”.

“Death Stranding”, aliás, é um jogo que eu considero um dos mais inovadores da década, porque reflete os temas que afetam a nossa sociedade hoje. Os jogadores têm uma sensação de isolamento e tentam recompor uma sociedade fraturada reconectando redes destruídas. Hoje, estamos mais conectados do que nunca, mas parece que nunca nos sentimos tão divididos e solitários. O game faz vários paralelos com essa realidade, além de levar o jogador a viver a experiência de entregar pacotes o dia todo. Eu poderia escrever um artigo só sobre isso, mas por ora vou dizer apenas: “o amanhã está nas suas mãos”.

Agora, falando das séries de TV, sou Trekkie de coração e assisti a cada um dos episódios e filmes da série Star Trek. Também sou muito fã de “Arquivo X”, “Buffy – A Caçadora de Vampiros”, “The Big Bang Theory”, “The Walking Dead”, “Game of Thrones”, “Schitt’s Creek”, “Sense8”, “The Expanse”, “Westworld”, “Stranger Things”, “La Casa de Papel”, “Killing Eve”, “The Mandalorian”, “Sex Education” e “The Witcher”.

Algumas séries eu vejo sozinho. Mas adoro chamar meus amigos para ver as mais populares, como “Game of Thrones” ou “Westworld”. Chega o domingo, eu faço a pipoca, eles trazem o vinho, a gente vê o episódio e depois discute. Lembro que na época de “Lost” a gente tinha altas conversas para tentar entender o que estava acontecendo e falar das questões em aberto do seriado. Ver séries, para mim, aproxima as pessoas de uma maneira positiva. Ao compartilhar o que amamos, aprofundamos a intimidade com os nossos amigos.

Agora, estou vendo “Upload” com meu vizinho, uma série futurista bem interessante. Quando as pessoas morrem, elas podem fazer um upload da sua consciência na nuvem e têm um avatar para conversar com os vivos. É super nerd! Ao mesmo tempo, nos faz questionar o que é o amor, a consciência e qual é o propósito de viver. É uma série que nos desafia não só intelectualmente, mas também a nos tornarmos pessoas melhores.

É por essas e outras que eu acho super sexy quando alguém diz que ama “Game of Thrones” ou “X-Men”. Aliás, já falei pra vocês que os geeks são os melhores namorados e amantes? Em outro artigo eu explico por quê. Até lá, vida longa e próspera – e continuem lindos.

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Empreendedor pioneiro em mídias sociais de São Francisco e co-fundador e CEO da hello.com, dedica-se a reunir pessoas, online e offline. Construiu uma das primeiras redes sociais, o orkut.com, que inspirou mais de 300 milhões de usuários ao redor do mundo a se unirem e fazerem conexões autênticas. Orkut é gay e militante da diversidade e da igualdade. Comentarista frequente sobre impactos positivos e negativos das redes sociais, também é um ávido programador, barman e massagista profissional. Adora dançar e é conhecido por fazer uma das melhores festas durante o Pride em São Francisco. Acompanhe o Orkut em instagram.com/orkutb e participe da nova rede social: hello.com