A problematização com os atores héteros em ‘Me Chame Pelo Seu Nome’

O filme Me Chame Pelo Seu Nome jamais escaparia desse exercício de retórica 3.0, a problematização.

O filme Me Chame Pelo Seu Nome jamais escaparia desse exercício de retórica 3.0, a problematização. A histeria não teve origem nos grupos pró-heterossexualidade; surgiu de uma vanguarda aparentemente gay criticando a escolha de atores héteros para interpretar personagens homossexuais.

Para problematizar o filme por inverosimilhança, é preciso analisar desde a primeira cena onde aparece “1983”. Saibam: é mentira, o longa foi gravado em 2016. Inclusive, o ator Timothée Chalamet (Elio) nem existia nos anos 80, ele só foi nascer em 1995. Os fatos levam a crer que o filme é uma ficção.

O telespectador mais ingênuo, ao encontrar a Renata Sorrah no supermercado, provavelmente vai ligar 190 e informar o paradeiro Nazaré Tedesco. Ou vai bater no ator André Gonçalves, que já foi agredido mais de uma vez na rua por ter interpretado um personagem gay na novela A Próxima Vítima. E custa a acreditar, mas o pessoal do seriado Grey’s Anatomy não tem CRM. Interpretar é uma profissão e, por mais real que pareça, o personagem de ficção quase nunca condiz com a realidade do ator.

NÃO É “GAY FACE”

Diferente de práticas teatrais que existiram no século 19, a representação dos personagens de Me Chame Pelo Seu Nome não é instrumento de opressão aos gays e não visa  ridicularizar os homossexuais para a aristocracia heteronormativa. Inclusive, a falta de representatividade gay no cinema se dá quando só há casal hétero como protagonista. Ou quando há uma censura, tipo o SBT dublando casal gay de uma novela mexicana como se fosse dois amigos héteros.

A ausência da representatividade LGBT+ possivelmente está bem na nossa sala, nas novelas do horário nobre exibidas no Brasil todos os dias, quando se vê atores gays que atuam fora da tela como héteros “por medo de não pegarem papéis de hétero”. Não era para ser diferente?

A visibilidade que os estimados atores gays de televisão dariam ao defender o que são, poderia acelerar políticas igualitárias e muitas outras urgências. Como recentemente disse o ator Luis Miranda: ‘toda vez que alguém sai do armário, ajuda o outro’.

Obviamente, nenhum ator é obrigado levantar a bandeira e servir a representatividade LGBT+, é um ato voluntário do livre-arbítrio.

De resto, vamos todo o mundo combinar direitinho de deixar o diretor Lucca Guadagnino  fazer casting para a cena do pêssego de acordo com seus critérios.

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