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A professora Duda Salabert foi demitida do Colégio Bernoulli após 13 anos lecionando. O desligamento foi confirmado pela instituição de ensino no último dia 6 de fevereiro. Segundo a vereadora em entrevista ao Estado de Minas, sua saída se dá pelas ameaças de morte que recebeu.

“Não é só a transexualidade. Sou uma transexual ameaçada de morte” – disse – “A saída já era esperada, depois de ameaças de morte que recebi. Sabia que a pressão dos pais era grande para me demitirem.” – avalia. Ela também acrescenta que há uma crise econômica que atinge as escolas. “Vivemos uma crise financeira e as escolas estão preocupadas com orçamento. Houve uma queda de matrícula” – disse.

Ela também lembra que sua transição de gênero ocorreu durante o período em que era professora e dá a entender que isso nunca atrapalhou sua profissão, considerando que ela tinha o acolhimento dos alunos e nas avaliações de desempenho ela tinha aprovação acima de 80%: “Iniciei a transição lá dentro. Muitos pais reclamavam, mas a maioria dos alunos me acolheu e recebeu muito bem”.

Já o Colégio Bernoulli emitiu uma nova dizendo que o motivo do desligamento está relacionado à disponibilidade de tempo de Salabert.

Após ameaça de morte, Duda Salabert é demitida de colégio em BHem BH
Reprodução

“Reconhecendo o alto envolvimento de Duda e a dedicação com que busca exercer sua nova atividade, e a imprevisibilidade de compromissos que cargos públicos como esse podem ter, não nos sentimos seguros de que todos os cronogramas seriam cumpridos” – diz o grupo.

“Reconhecemos a imensa contribuição dada por Duda na formação de milhares de alunos que passaram por nossa escola por todos esses anos. Desejamos sucesso e realizações para ela em sua nova trajetória. Reforçamos também nosso intenso trabalho na formação do pensamento crítico pautado sempre pelo respeito, tolerância, diversidade e inclusão” – finaliza.

Com sua saída do Colégio Bernoulli, Duda Salabert disse que planeja abrir um curso para educação de adultos, especializado para mulheres encarceradas. “Posso estar na política, mas sou professora”, frisa. O trabalho será voluntário e gratuito.

Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".