O DJ, professor de teatro e de circo, Gabriel Castro (34), teve que se reinventar após o período de isolamento social e fundou uma padaria na cozinha de seu apartamento, em Curitiba, destinada ao público LGBT: “O Pão que o Viado Amassou”, fundada em 20 de maio, coincidentemente, no dia do aniversário da Cher.

Segundo o Universa, antes da padaria, ele tinha tentado assar pães duas vezes na vida e ambas foram fracassadas. No entanto, “com a glória do YouTube”, ele aprendeu a fermentar, sovar e assar, distribuindo os pães entre os amigos e, algum tempo depois, abriu para vendas.

Montagem: Razões para Acreditar

Já o nome veio durante uma conversa com uma amiga e, mesmo não planejado inicialmente, Gabriel Castro entende que o título pode “levar reflexão para dentro da casa das famílias”

“Por que não distribuir pães, ajustar minhas contas e fazer com que esse alimento entre na casa das pessoas como um veículo para uma reflexão? Por que não deixar as pessoas saberem que estão comendo um pão feito por um gay? O nome escancara a visibilidade para a comunidade LGBTQ+, desperta um olhar mais carinhoso para quem está aí querendo ser quem é, querendo amor e respeito. Eu sei que não vou curar a homofobia, mas é bonito ver que a discussão de fato acontece. E ter o pão como instrumento disso é uma delícia.”

Questionado pelo Universa se houve algum tipo de homofobia, Gabriel Castro diz que sim, mas que estes são “insignificantes” perto de todo o apoio que tem recebido, além de que não interfere nas vendas.

Reprodução

Para conseguir atender a demanda, já que atualmente O Pão que o Viado Amassou vende cerca de 100 por dia, ele precisou aumentar a equipe, incluindo um ajudante de cozinha e alguns entregadores, sendo todos partes da comunidade LGBTQIA+ e que também tiveram seus empregos suspensos devido a quarentena.

“Fico feliz de ampliar o negócio porque, com isso, amplia a reflexão. As pessoas estão dentro de casa com seus opressores, seus agressores, e as respostas que recebo mostram que o pão leva à conversa de forma muito leve. Amigos que ainda estão dentro do armário compraram um pão meu para comer com o pai, por exemplo. Isso me deixa confiante de que a missão não está cumprida, mas está se cumprindo.” 

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".