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Fundamos um projeto chamado “Bancada do Livro” contra o absurdo do Bispo Crivella tentar censurar beijos gays na Bienal do Livro. Livros de sexo eram vendidos livremente (com razão, era uma bienal com faixa etária), mas aos gays cabia a ideia de um saco preto (quase de mortos).

Um beijo tido como proscrito, errado, feio. Sou professor de professores e militante. Entende que a LGBT de muitos pais é tentativa de proteger seus filhos. “Isso aí” (ser LGBT) é duro, todos sabem. E como diz o ignóbil que senta na cadeira de presidente e muitos acreditam uns tapas podem mudar isso. Os LGBTs são acusados de “ideologia de gênero”, como se fosse possível, vendo fotos, debatendo o tema, mudar a orientação sexual/identidade de gênero de alguém.

Fosse assim, eu que crescei vendo novelas e filmes, seria o mais hétero de todos, não sou. Mas levei 20 anos, lavei-me com álcool, fui expulso de casa aos 17 anos, mudei de estado aos 20, tudo pela difícil trilha da vergonha ao orgulho.

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Ser LGBT é muito mais do que sexo, é uma identidade. Muitos pais percebem aos 5 anos. Os fundamentalistas lutam por uma escola de ódio, que não defenda a diversidade, não fale de racismo, não fale de gênero nem para as meninas.

A consequência é sermos o pais da américa latina que mais cresce em infecção de HIV na américa latina. Todo ano nascem 430 mil bebês nascem de mães adolescentes no país. Mas o que move nossos parlamentares é proibir uma revista onde 2 heróis, do mesmo sexo, se amam e querem se casar

O mundo mudou, em 10 anos conquistamos a união civil, que o CNJ transformou em casamento, garantindo ser família, o STF nos permitiu adotar filhos, depois a retificação de nome social para pessoas trans sem obrigar a dura cirurgia, em seguida a grande vitória: LGBTFOBIA tornou-se crime, imprescritível e inafiançável, garantimos ainda o nome social nas escolas e este ano gays, bissexuais, mulheres trans e travestis garantiram o direito de doar sangue.

Novela teen da maior emissora tem ator bi, fazendo papel gay, temos Pabllo Vittar, Pepita e muitos outros ícones para nossos jovens. Esse é o papel da cultura. Aquele jovem, da cidade pequena, que se acha sozinho, estranho, diferente, excluído, enfim, tudo que vem junto com a palavra viado, vai ver dois heróis gays se casando, uma cantora drag fazendo muito sucesso, ativistas lgbts mudando o Brasil.

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É de assustar, que no meio dessa pandemia, mais de 160 mil mortos, alguns parlamentares se reúnam para tirar, dos jovens LGBTs, o direito de se ver, de ter orgulho, de saberem que existem, de entender o que são.

Estive em muitas dessas lutas, inclusive de construir via UNESCO a base nacional comum curricular, sugiro aos que acham que escola é só matemática que leiam as competências 7,8 e 9 que versam sobre DH, reconhecer suas emoções e da valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sexuais. Sim, é lei. É papel da escola enfrentar a LGBTQfobia.

Por decisão unânime, o STF julgou inconstitucional lei municipal de Novo Gama/GO que proibia debate sobre identidade de gênero nas escolas. Essa é a luta, a cultura do progresso e a educação do futuro. Importante para todos. O nome disso é civilização.

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