No último dia 22 de maio foi disponibilizado no YouTube o documentário Terra sem Pecado, mostrando como os indígenas lidam com a questão da homossexualidade e a homofobia dentro de suas realidades. Este foi baseado na pesquisa “Homossexualidade indígena e LGBTQIfobia no Brasil: duas faces da mesma moeda”.

“Naquela época eu apanhei um pouco dos meus pais, falavam que isso era errado. Vinha uns amigos do meu pai dizendo que eu tinha que ir à igreja com eles e que eu estava manchando o nome do meu pai” – diz Fêtxawewe Taput Guajajara Veríssimo, liderança jovem do Santuário dos Pajés BSB/DF.

Segundo os relatos do “Terra sem Pecado“, a homofobia dentro do contexto indígena é uma herança da colonização aliada a falta de conhecimento da população. Veríssimo explica que a diversidade sempre existiu dentro das comunidades indígenas, e naquela época a sociedade aceitava.

“Os não-indígenas que trouxeram o preconceito, homofobia e machismo. Não era da nossa identidade cultural”.

Foto: Reprodução

PRECONCEITO INICIOU COM A INFLUÊNCIA CRISTÃ

Em depoimento para a startup Todxs, Neimar Kiga, índio gay de 23 anos oriundo dos indígenas Boe e membro do coletivo Tibira — Indígenas LGBTQI+, versa sobre a necessidade de romper com a condição de invisibilidade das questões de gênero e sexualidade entre os povos originários. Além de liderar o movimento Indígenas LGBTQI+, Kiga hoje está graduado pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e cursa mestrado no Programa de Pós Graduação em Antropologia Social (PPGAS) pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Segundo ele, a homossexualidade é vista de modo negativo pelo povo Boe devido a forte influência da ideologia cristã, algo que não existia durante o período pré-colonial.

Até então, era aceitável que as pessoas transitassem em diversos espaços e prática de gênero, havendo relatos de pessoas trans dentro da tribo, sendo estas aceitas pela comunidade. Leia a matéria completa clicando aqui.

Indígena ressalta que o preconceito com LGBT+ nas tribos começou após influência cristã

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".