Wanrley Cardoso ganhou o prêmio do júri na categoria Boy Magia, no POC AWARDS 2019, graças as suas fotos para o projeto 48 horas. Aproveitando a oportunidade, nós do Gay Blog Br decidimos entrevistá-lo para comentar um pouco sobre seus projetos e também sua intimidade.

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1 – Primeiramente, parabéns pelo POC AWARDS 2019!  Já estava esperando vencer na categoria?

Wanrley: Muito obrigado pelo prêmio! Fiquei muito feliz não só por ter ganhado, mas também por ter sido indicado e estar ao lado de pessoas muito bacanas. Um sentimento de gratidão e felicidade!

Wanrley Cardoso posando para Mustang Magazine. Foto: Diego Perroni
Wanrley Cardoso posando para Mustang Magazine. Foto: Diego Perroni

2 – Você fez a drag queen Megan Necan, que abre shows por todo o Brasil de artistas do RuPaul´s Drag Rage. De onde surgiu essa drag? 

Wanrley: Quando criamos um personagem, ele fica sempre com a gente, mesmo quando não está em atividade. Já faz um tempo que não faço [a Megan Necan] por estar trabalhando em outros projetos, mas a ela está sempre aqui comigo e tenho planos para 2020. A Megan surgiu quando eu fui a uma festa a fantasia em uma balada, aí eu fiz uma personagem drag.

Um amigo produtor de festas de São Paulo que trabalhava na Bubu Lounge viu minha drag na balada e me chamou pra fazer a personagem na festa Catwalk. Daí surgiu convites em outras baladas e aí “fui indo” e, mesmo sem intenção, ela começou a crescer. Também tive a oportunidade de abrir o show de algumas drags famosas do RuPaul, como a Laganja Estranja, da Katia aqui em São Paulo, e da Trixy no Rio. Eu comecei a fazer drag na época do “boom” do Rupauls, então eu era super fã das meninas e ver artistas a nível mundial dividindo camarim foi um sentimento único.

Wanrley Cardoso
Wanrley Cardoso – Foto: Diego Perroni

3 – RuPaul´s Drag Race trouxe “a tona” diversas drags que são muito famosas, como Pabllo Vittar e a Gloria Groove. Para você, qual a importância da representatividade nas mídias para desconstrução de estereótipos e preconceitos? Pensa que há algum avanço sobre isso?

Wanrley: A nossa geração RuPaul´s foi incrível, evidentemente não querendo desmerecer as drags que vieram aqui no Brasil, antes como Márcia Pantera, Dimmy Kierr e outras maravilhosas. No entanto, minha estética favorita como drag tem o perfil no RuPaul´s e creio que esse programa trouxe uma magnitude para o mundo drag que não consigo “transcrever em palavras”, se refletindo em nosso país com Pabllo Vittar, Gloria Groove, mas também em artistas do mundo inteiro.

Hoje vemos cantoras e atrizes mainstream fazendo trabalhos com muita estrutura e competência. Provável que muitos que estão em casa digam “Se a Pabllo ou a Lia Clark chegaram lá, eu também posso”.  É possível se dedicar e alcançar seu sonho, e isso ajuda a desconstruir o preconceito, pois boa parte dele se dá justamente pelo desconhecimento, e a popularização acaba “furando as bolhas” e mostrando às pessoas completamente fora deste universo o que é a arte drag.

Quanto ao avanço, creio que não estamos no “ponto ideal”, não “chegamos lá”, mas acredito que tivemos avanços sim. Pessoas heteronormativas estão cada vez mais consumindo a arte drag e, muito provavelmente, eram essas mesmas pessoas que antigamente tinham algum olhar de discriminação.

Foto: Diego Perroni

4 – Depois dos nudes, você recebeu mais cantadas e seguidores?

W: Sempre né… rs. Depois das revistas e depois do POC AWARDS recebi umas nudes e cantadas e mais seguidores. Mas eu gosto de ver nudes e acredito que muitos gostam de ver também.

5 – E seu estado civil? Solteiro, casado, na pista? 

Wanrley Cardoso: Não sei meu estado civil, acredita? Não sei caracterizá-lo. Sei que não sou solteiro e nem casado, e estou na pista ao mesmo tempo. Esse é o meu estado civil.

Os vencedores do POC AWARDS 2019!

POC AWARDS 2019

Confira os vencedores do POC AWARDS (alternativamente, veja a lista na revista Exame ou no Terra).

Prêmio do Júri – POC AWARDS 2019

POC DO ANO: Tarcis Duarte
ARTIVISTA DO ANO: Renata Carvalho
BOY MAGIA: Wanrley Cardoso, para 48 horas
QUE HINO: “Proibido o Carnaval” – Daniela Mercury e Caetano Veloso
MÚSICO POC BRASILEIRO: Renato Enoch, por “Recortes {b}”
PEGUE MEU DINHEIRO (publicidade): Shell – “De Causo em Causo”
UNICÓRNIO (startup): Jow Centro Automotivo
ATIVO 19 (iniciativa): Coordenação de Políticas para LGBTI da Prefeitura de SP

Menções Honrosas – POC AWARDS 2019

MANDA VÍDEO: Inritado, por Porta dos Fundos
GRANDE DIA: Criminalização da homotransfobia
ELAS QUE LUTAM (ativismo): Fábio Felix

Prêmio do Público – POC AWARDS 2019

POC DO ANO: Jesuíta Barbosa
CANCELAMENTO: “É a união de dois caras”
FANFIC (o pior enredo de ficção): Damares com “Frozer”
THE BOSH: Titi Müller com “a galera tá pedindo Anitta demais”
MELHOR AÇÃO PUBLICITÁRIA: Crivella promovendo a literatura LGBT+
GRANDE DIA: Radialista Luiz Gama demitido após comentário homofóbico
TEM LOCAL (turismo): San Francisco, promovido por SFTravel
O AUGE: Pabllo Vittar dando bronca nas colocadas em Salvador
ARTIVISTA: Laerte
BOY MAGIA: Max Souza, Mister Lins 2019
QUE HINO AmarElo” – Emicida, Majur e Pabllo Vittar
CHACOTA DO ANO: Eu mereci
MANDA VÍDEO (cinema): Bixa Travesty, por Linn da Quebrada, Kiko Goifman e Claudia Priscilla
MÚSICO POC BRASILEIRO: Jão
PEGUE MEU DINHEIRO (campanha): Governo da Bahia – “Aqui é Bahia, aqui é respeito”
INSULTO DO ANO: Cidadão de bem
UNICÓRNO (startup): Bicha da Justiça
ELAS QUE LUTAM (ativismo): David Miranda
ARTISTA DO ANO: Tabatha Aquino cantando Gloria Groove no metrô
ATIVO 19 (iniciativa do ano): Felipe Neto
CONTATINHO (plataforma de relacionamento): Grindr
AVANT GARDE (empreendedorismo): Suruba Beneficente, de Dedalos Bar
PERSONALIDADE DA MÍDIA: Kaíque Brito
KIT GAY (a maior ameaça que converte héteros em gay): Rodrigo Hilbert

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".